A família de Bruna

Autor: André Luiz Alves de Souza

Contato: drandresouza@hotmail.com

Em 2090, Brasil, Bruna, 16 anos, é filha de Alex e Maria. Seu pai é casado com três mulheres. A justiça legalizou a poligamia, mas também há muitos casamentos monogâmicos. A sociedade é capitalista, democrática, que foi se moldando aos conceitos científicos, mas a fé em Deus não foi abolida. Existem diversas religiões, com predominância do cristianismo.
O pai dela se divide em três famílias. As outras duas são Joana e Gorete. Com cada mulher, possui um filho e mora em residências separadas.
Em sala de aula, Bruna assiste à aula de Sociologia. A professora explica um assunto.
- A nossa sociedade é pautada pela ciência, embora existam muitas pessoas que possuem religiões e condutas morais definidas por gerações e gerações. A nossa lei legaliza todos os estilos de vida, como, por exemplo, alguêm, adulto, se case no civil quantas vezes quiser, ao mesmo tempo, desde quando cumpra suas obrigações. Ou seja, á a chamada poligamia. Há também famílias que são monogâmicas.
Bruna interrompeu a professora.
- A minha família, professora, é poligâmica. Meu pai é casado com três mulheres. Uma dessas á a minha mãe. Uma vez ao mês, ele, as mulheres e os filhos almoçam juntos.
- E não há briga? E o ciúme?
- Professora, brigas sempre vai ter; ninguém é perfeito. Mas há respeito. A minha mãe confia que meu pai ame a gente, mas ela entende que o homem possui mais hormônio sexual do que a mulher e necessita de mais mulheres.
O debate se acirra. Uma colega de sala de aula pede a palavra.
- Discordo da Bruna. O homem dever ser fiel à mulher. A minha família é monogâmica e acredita em Deus.
A professora retoma a fala:
- Tudo bem, pessoal! Nunca vai haver consenso, mas a nossa lei legaliza a poligamia, pois entende que o cidadão tem o direito em ter quantas famílias quiser. E muitos poligâmicos acreditam em Deus, apesar da religião cristã discordar. A ideia de Deus está acima de igrejas. Quer falar ainda, Bruna?
- E meu colega, que está ao meu lado, é filho de duas mães. Não há pai. Elas se amam, ele se dá muito bem com isso.
- Resumindo a aula. A nossa sociedade, juridicamente, é poligâmica, mas há famílias que preferem a monogamia por diversos motivos. Qualquer cidadão, homem ou mulher, pode se casar quantas vezes quiser. Pesquisas realizadas revelam que é mais comum o homem ter mais mulheres, pois contém mais tostestosterona, que é um hormônio sexual. Não se esqueçam do nosso exercício para a próxima aula. Até logo!
Em casa, à noite, Bruna conversa com a mãe.
- Cadê meu pai, mãe?
- Hoje é sexta. Ele está com a outra esposa, a Gorete.
- E a Senhora está com saudades dele?
- Um pouquinho. Ele vem para cá, amanhã.
- Como foi no trabalho, hoje?
- Trabalhei bastante! Estou advogando para um rapaz. Ele está processando a ex-esposa. Pede uma pensão. Não trabalhava, dependia dela.
- E eles eram poligâmicos ou monogâmicos?
- Poligâmicos. Ela tinha mais dois maridos. Hoje, só tem um. O outro é o meu cliente. Amanhã, final da tarde, vamos comer uma pizza. Eu, você e seu pai.
- Que bom! Nunca mais comi uma pizza. Boa noite, mãe! Já vou dormir.
- Boa noite, filhona!
Itamaraju-BA, 13 de Março de 2014
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