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no. 3 - 11/3/2003

1. Oi
2. Carta do Livro
3. Morando na Rua
4. Lucas entra para historia
5. Eu sei... e daí ?
6. Cantá
7. Manifesto
8. Agenda
9. Apoios

Próximo Encontro 12/3/2003, quarta-feira, às 20hs no Centro Cultural do Itaim Paulista:
R Barão de Alagoas, 340, t. 6963-2742
Entrada gratuita e aberta a todos os interessados

1. Oi
Olá pessoal,
Nosso encontro literária será no dia 12 de março, o pessoal da casa de cultura pediu para pensarmos em algo para o dia internacional da mulher.
Eu particularmente acho uma besteira esse lance de datas, mas respeito quem discorda, por isso estarei ajudando nesse evento, acho q poderíamos fazer algo com senso crítico...o q acham?
Jonilson Montalvão
pedrapequena@ig.com.br

2. Carta do Livro
Essa carta foi publicada em forma de um pequeno livro pela Ateliê Editorial em parceria com a Imprensa Oficial e a Oficina do Livro, é um tipo de declaração dos princípios que deve ser destinado aos livros. A partir desse número – numa seqüência mensal - o e-screve, numa forma de colaborar e corroborar com esses princípios, publicará todos os itens existentes no livreto.
Para conseguir o livro, acesse a página eletrônica da Ateliê: www.ateliê.com.br.

3 - A SOCIEDADE TEM O DEVER DE CRIAR CONDIÇÕES PROPÍCIAS
À ATIVIDADE CRIADORA DOS AUTORES
A Declaração Universal dos Direitos do Homem estipula que “toda pessoa tem direito à proteção dos benefícios morais e materiais decorrentes de toda produção científica, literária ou artística de que ela é autora”. Essa proteção se deve estender igualmente aos tradutores, que, por meio de seu trabalho, contribuem à difusão dos livros para além das barreiras lingüísticas, constituindo assim um elo essencial entre o autor e um público mais amplo. Considerando-se que todos os países têm o direito de exprimir a personalidade cultural que possuem, salvaguardando com isso a diversidade indispensável à civilização, eles têm o dever de apoiar seus próprios autores em sua missão criadora, assim como de favorecer, pela tradução, o conhecimento das riquezas literárias dos outros países, aí se incluindo aqueles cuja língua tem fraca difusão.

3. Morando na Rua
Quem são essas pessoas que procuram por sobrevivência aos olhos de todos, percorrendo as veias da cidade, construindo espaços reais num mundo ilusório?
Um saco plástico torna-se chapéu, um pedaço de jornal transforma-se em cobertor, um papelão, em parede. Ao falar em morador de rua estaremos, inevitavelmente, falando sobre um modo de vida, uma interação intensa na qual se pode experimentar o novo e presenciar raros momentos de pureza, de arte (vide Gentileza) e de ruptura do véu amorfo que cobre a cidade contemporânea. Em um país como o Brasil, onde as diferenças sociais são espantosas, a política habitacional deficitária e os espaços públicos, sendo "mortos", a arquitetura transforma-se, cada vez mais, em política de embelezamento e de sociabilização controlada, de espaços enclausurados, vigiados. O medo do invisível torna-se o próprio reflexo de um muro nos olhos dos habitantes, um muro paranóico, violento e desolador, que o homem contemporâneo vem levando em seu ventre e em sua mente, onde o prazer do corpo nos espaços da cidade fica entorpecido pela carga gigantesca de informações, pela manipulação das aparências pelo capital, e pelo controle ético do povo pela mídia.
É preciso tentar compreender os caminhos percorridos pelo morador de rua ao abordarmos a questão da sua criatividade e da maneira como ele constrói seus espaços ilusórios, e inserir essa questão na própria noção de espaço com que estamos lidando nas grandes metrópoles; e, principalmente, na discussão da diferença e da relação entre espaço público e privado.

PÚBLICO E PRIVADO
Fomos condicionados a entender espaços fechados, a ser protegidos dentro de mundos isolados, a compreender de uma maneira unilateral o que é fora e o que é dentro. Estamos cada vez mais edificando espaços ilusórios artificiais (shopping centers, praças de alimentação), que são sem dúvida, atualmente, os espaços públicos das cidades. As praças, os parques, estão sendo enclausurados com grades, "pendurados" como obras de museu, inatingíveis, fictícias. As noções de espaço do morador de rua podem atingir um grau enorme de experimentação, no qual o público e o privado se mesclam aos nossos olhos, e as bricolagens e sobreposições de materiais são utilizadas para fomentar uma noção diferenciada de espaço. Este se torna, ao primeiro impacto, um muro, quase que esquizofrênico, incompreensível para os modos de vida burgueses de nossa sociedade. Mas, atravessando as sombras desse muro, entramos num oceano de criatividade e de vislumbres construtivos inigualáveis. Espaços autônomos, mutáveis de acordo com as necessidades do cotidiano, interações entre sobrevivência, moradia e corpo, que vão, ao mesmo tempo, sendo constituídas ininterruptamente. O lixo de consumo da sociedade torna-se a pedra fundamental para a vida na rua. Sob essa óptica, o mais importante seriam então as soluções encontradas para a relação entre o corpo/mente e os espaços das cidades. Retornamos para a importância dos espaços públicos e para o real significado de morar, de habitar e de ter o prazer de se sentir em casa, mesmo no âmbito dos espaços públicos. Esses espaços e a habitação devem caminhar novamente juntos, e essa caminhada precisa se transformar numa meta política e numa obrigação para o Estado. Soluções podem ser encontradas tentando-se conceber espaços "abertos", autônomos e reguláveis para os habitantes, e não enclausurados em edifícios seriados e sem vida ("Habitações Cingapura").
A experiência do morador de rua deve ser estudada e compreendida, cada vez mais, não como se fosse uma solução habitacional ou um modo de vida para o futuro, mas sim, como uma perspectiva de libertação do corpo no espaço, como o casamento fecundo do espaço público com o espaço privado, e como um autêntico e criativo objeto de estudo para a arquitetura contemporânea. Os espaços do morador de rua tornar-se-ão assim quase que o cenário de uma arquitetura utópica, que nos faz lembrar dos devaneios de Buckminster Fuller, dos arquitetos orgânicos, do Archigram, do panóptico de Fourier. Talvez os arquitetos, urbanistas e pensadores da cidade tenham que descer pelas escadas do unipotente poder mercantil e desenhar a utopia que poderá levantar as máscaras do capitalismo e repensar as necessidades do homem contemporâneo e sua cidade.
+ André Teruya Eichemberg
fonte http://artists.iuma.com/IUMA/Bands/VitoriaMario_Rituais_Eletroacusticos/

4. Lucas Entra Para a Historia
A imprensa desavisada cansa de repetir o hype que corre por trás do fenômeno dos blogs. Braveja que esses blogs são apenas uma moda passageira. Ranço de um pensamento da cultura de massa que nada tem a ver com a realidade digital.
O blog é apenas uma ferramenta. E provavelmente a sua forma será modificada, transformada e possivelmente descartada num futuro próximo. Mas isso é irrelevante. Penso que internet não pressupõe ferramentas ou até mesmo computadores. Internet tem mais a ver com pessoas.
A história de Lucas é mais do que um modismo. Lucas é um menino nascido numa favela perdida na linha de trem entre São Paulo e Osasco. Ele é soropositivo. Sofre, portanto, de todos os males que afetam os excluídos. Sua vida já estava marcado pelo sofrimento e pela tristeza.
Mas a sorte bateu no seu barraco. Sua mãe foi pedir esmola para a Rossana Fischer. Ela não tinha muito para dar. Afinal ela é mais uma designer que tem que buscar seu próprio pão e leite de cada dia. No entanto, ela teve uma idéia inesperada. Foi ao seu computador e postou no wumanity.com uma solicitação desesperada de ajuda ao futuro pequeno Lucas.
Até aí, nada de novo. Afinal, creio que somos todos culpados desta opressão a classe desfavorecida. E tentamos fortuitamente nos eximir da nossa culpa com atos isolados, paternalistas e pouco eficientes. Entretanto, para a surpresa da própria Rossana essa solicitação foi a tendida. O poder de mobilização dos blogs surpreendeu não só os incautos. Surpreende aqueles que estão participando de perto desta revolução.
Em menos de uma semana, Rossana contou com a colaboração de centenas de amigos, conhecidos, leitores e anônimos que não só doaram espontaneamente o dinheiro necessário para a mãe de Lucas poder sobreviver ao parto, mas também deu início a um movimento de colaboração que poderá culminar numa ONG. Vamos aguardar para ver os resultados deste esforço. A Rossana entendeu que sua responsabilidade extrapolou uma ajuda humanitária. A solidariedade deveria se estender às outras crianças e à comunidade. Um objetivo que está além da vida cotidiana. Isto é ser humano.
Esta história é um marco. Uma nova ordem cabe às pessoas comuns. O mundo virtual é um caos. Pessoas falam com pessoas. Desconhecidos se tornam amigos por laços que nem sempre conseguimos compreender. Uma lógica diferente, mas que faz do caos, paradoxalmente, uma nova forma de reorganização da sociedade. Podemos participar efetivamente das decisões, deixamos de ser figurantes no processo da nossa própria existência.
Esta revolução não está sendo televisionada. Está sendo blogada. Uma troca de estórias, de experiências e de aflições. Rossana consegue nos mostrar que as soluções para alguns problemas estão mais fáceis de serem resolvidos do que pensamos. Temos que nos repetir está história até cansar. E aproveitar essa mobilização para aprender sobre o poder dos mercados.
A vida é para ser vivida. E Lucas quer viver. Um instinto de sobrevivência que traça o destino da humanidade. Todos querem viver com dignidade. Esta movimentação de pessoas, tanto na forma de ajuda financeira como num debate de idéias e soluções, é algo que temos que analisar com a boca no coração. Esta na hora de falar. De mostrar que não estamos aqui de passeio. Estamos a serviço das pessoas. Vamos colaborar para encontrar um mundo mais do que perfeito.
Não somos hipócritas em achar que salvando o Lucas estaremos salvando milhões de crianças que ainda morrem nas favelas e nos campos. Nas guerras e em países ditos "modernos". Mas a iniciativa capitaneada por Rossana mostra caminhos que merecem ser percorridos pelas vozes dos micromercados. Por aqueles que, de fato, estão comprometidos com a transformação. Lucas um símbolo real que merece o nosso abraço, mesmo não sendo o único.
www.ahistoriadelucas.blogger.com.br
fonte www.novae.inf.br/marketinghacker/lucas.html

5. Eu sei... (e daí ?)
Eu Sei, Mas Não Devia...
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduiche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias de água potável.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.
E se com a pessoa que a gente ama, a noite ou no fim de semana , não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma.
Clarice Linspector

6. Cantá
Cantá seja lá cumu fô
Si a dô fô mais grandi qui o peito
Cantá bem mais forte qui a dô.
Cantá pru mor da aligria
Tombém pru mor da tristeza,
Cantano é qui a natureza
Insina os ome a cantá.
Cantá sintino sodade
Qui dexa as marca di verga
Di arquém qui os óio num vê
I o coraão inda inxerga.
Cantá coiendo as coieta
Ou qui nem bigorna no maio
Qui canto bão de iscuitá
É o som da minhã di trabaio.
Cantá cumu quem dinuncia
A pió injustiça da vida:
A fomi i as panela vazia
Nus lá qui num tem mais cumida.
Cantá nossa vida i a roça
Nas quar germina as semente,
As qui dão fruto na terra
I as qui dão fruto na gente.
Cantá as caboca cum jeito,
Cum viola i catiguria
Si elas cantá nu seu peito
Num tem cantá qui alivia
Cantá pru mor dispertá
U amô qui bati i consola
Pontiano dentro da gente
Um coração di viola
Cantá cum muntos amigos
Qui a vida canta mió.
É im bando qui os passarim
Cantano disperta o só.
Cantá, cantá sempri mais:
Di tardi, di noiti i di dia.
Cantá, cantá qui a páiz
Carece de mais cantoria.
Cantá seja lá cumu fô
Si a dô for mais grandi qui o peito
Cantar bem mais forti qui a dô.
Gildes Bezera

7. Manifesto
Esse manifesto surgiu a partir de um encontro entre vários grupos artísticos da região visando romper com a segregação social - (num patamar artístico) - , que a maioria das pessoas que desenvolvem arte, - (em qualquer aspecto) - sofrem e como isso impossibilita tais artistas de transporem essas barreiras impostas e mostrarem seus trabalhos.
Enquanto prefeitura e estado dão total apoio para esses ditos artistas burgueses, colocando enormes fotos e proporcionando shows com bons equipamentos, nós da periferia temos que ralar para conseguirmos tocar em um local onde, por direito, é nosso também. Isso sem contar que quando conseguimos organizar algum evento, temos que dispor de tempo para a correria de equipamentos e muitas vezes esses mesmos equipamentos não nos oferece condições, e o público não sai satisfeito do evento, e com razão.
As casas de culturas da periferia, principalmente a do Itaim Paulista, não têm condições estruturais necessárias para oferecer às pessoas um mínimo de respeito, tanto para os freqüentadores como os artistas.
Obviamente que cada grupo tenha seus interesses próprios, mas se não nos unirmos em prol de algo que desenvolva nossa capacidade criadora, jamais quebraremos essa barreira imposta pelo sistema e nunca poderemos mostrar nossa criatividade e também nunca veremos nem teremos shows com músicos legais, nem exposições, nem nada....
Se você se viu dentro desse quadro e tiver algum trabalho artístico (qualquer um) e quiser participar entre em contato conosco, também, se não fizer nada, venha nos apoiar nessa luta, pois todos nós só temos a ganhar com essa manifestação cultural.
Jorge Lins (Dodi)
Sebo MUTANTE
Autarquia

8. Agenda
Exposição Negras Memórias, Memórias de Negros: O imaginário Luso-Afro-Brasileiro e a Herança da escravidão, Galeria de Arte do Sesi, detalhe: é de graça. Av. Paulista, 1313, até 29 de junho de 2003, Terça a Sábado das 10 às 20 horas, Domingo das 10 às 19 horas, e no mesmo local tem também teatro, biblioteca, confiram.
No mês de março inteiro estarão ocorrendo eventos relacionados ao mês internacional da mulher, na casa de cultura do Itaim paulista (6963-2742) Todos os domingos a partir das 17 horas, estará rolando na casa de cultura (Itaim paulista), shows com bandas da região. Esse evento está sendo realizado pela cooperativas de bandas, e é um manifesto contra o mal aproveitamento do espaço público que é de todos, no caso a casa de cultura, onde não há muito eventos acontecendo ultimamente.

9. Apoios
Os Encontros dos Escritores do Itaim Pta tem o apoio de várias pessoas e de pequenos comerciantes e prestadores de serviços que acreditam num mundo onde todos tenha voz e vez. Alguns deles:
+Sebo Mutante sebomutante@bol.com.br
+Unitrilhas turismo ambiental unitrilhas@brfree.com.br
+Clovis do lixo à arte www.clovis.recicla@hpg.com.br
+ONG PENSA www.itaimpaulista.com.br/pensa pedrapequena@ig.com.br
+Casa de Cultura do Itaim Paulista 11-65662742

Próxima edição:
+ Carta do Livro
+ Agenda, mande seu eventos
+ Letras e poemas, manda mais

Ocas. Da rua pra casa www.ocas.org.br

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