5º Campeonato de poesias
( E N C E R R A D O )

POESIA 1

Nordeste Brasileiro

Povo nordestino, escute que vamos falar:
A seca aí está muito grande mas vamos recuperar.
A plantação está secando, virá chuva para molhar
em pouco tempo o nordeste bonito vai ficar.
Com as pessoas passando fome assim não pode ficar
o clima tem que mudar para fartura não faltar.
A seca é muito grande os animais não têm o que comer
as vacas magras estão perto de morrer.
Sofrimento na região é o que têm de montão falta água,
falta roupa, pra toda população.
Cansaço, seca, pobreza,
no nordeste está faltando nossa bela natureza.
O povo do nordeste tem muita tradição
carne seca com farinha e muito jegue na região,
e o forró no arrasta pé que levanta a multidão.
o povo festeja um pouco esquecendo tamanha devastação

POESIA 2

Desabafo

Como eu queria dominar meu coração
E arrancar com as próprias mãos a emoção
Que me implode, dilascera e faz sonhar
Eu que não tenho o direito de te amar
Só penso em ti, dia e noite sem parar
Me desconheço, a emoção me transformou
Se pertencemos um ao outro no passado
Nos entregamos, caminhamos lado a lado
E a própria vida afastou você e eu
Quantos anos separaram nossas vidas
Quantas lágrimas na nossa despedida
Sofrimento machucando o coração
E agora o destino quis brincar
Depois de tudo adormecido, o despertar
Do sentimento, corpo e alma,
coração olhos brilhantes, olhar perdido no espaço
Quanta saudade dos teus beijos, do abraço
Ai que vontade de ter ver, mais uma vez
Se era livre, este amor foi livre um dia
Hoje voltou mais forte ainda, que ironia
Voltou tão lindo, mas tão cheio de pecado
Já não posso caminhar mais ao teu lado
Mas não consigo dominar meu coração
O sentimento tem o nome de paixão
Ma so teu nome é proibido, meu amado....

POESIA 3

Isabella

Menininha doce, rosa em profusão
Nasceste do amor, brotado do coração
Estando no mundo de prova e expiação.
Tudo pode descobrir virando ingratidão
As crianças são benquerenças de Jesus,
Louçãs brilhantes sacrossantas e divinais.
Eras a alegria ferrenha do amor fraternal,
Cordial, luzidias de vida ditosa que reluz.
Pensavas em anjos medianeiros de luz.
Brincavas com alegria terna e altaneira,
Na inocência multifária a alegria conduz.
Ditosa, charmosa de alegria alvissareira.
Os pais são extasias dos filhos, frutos seus.
A união faz a força, o elo pode desmanchar,
Um pra cá, outro pra lá, é o amor que morreu.
Com ele as esperanças de criança a enodoar.
Destinos diferentes e vieses indiferentes.
Ausência notada no dia a dia entristecia,
Um coração pequenino sentia-se ausente.
Era a saudade, e a dor do amor que esvaía.
De uma união sem indícios novos nubentes.
Mova ligação nidificadora surge permutas.
Amor, ligação, dubitações são inerentes,
Do novo lar rotinas e incertas condutas.
Entre pai e filho não se extrai a ligação,
Outros irmãos asseveram nova metade,
Pelo sangue da vida impulsiona aguilhão.
No convívio de irmãozinhos a fraternidade.
Isabella com os irmãos era demais dedicada.
Saudável, adornada por carinhos de coração,
De repente uma surpresa ingrata e calcetada,
Transforma-se em tristeza, dor e comoção.
Nos jardins orvalhados um corpo jazia.
Ao soprar do vento ninguém imaginava,
Estocante a louçã brilhante inerte perecia.
Uma ação brutal emudecia e transtornava.
Comoção total, tristezas e revoltas esfaceladas.
Isabella menina meiga, carinhosa e vitimada,
Pela sanha cruel dos indolentes personalizada.
Isabella na flor da idade, ingênua, ouro cristalino,
Sem maldades, sofre as agruras de um assassino.
Matando-a e escondendo-se atrás da carapuça escura.
Ceifando de forma violenta uma criança inocente e pura.
Que a justiça dos homens puna esse animal, irracional.
Que não escapará da justiça divina, De Deus nosso Pai Celestial
Receba Jesus a Pequena Isabella, abrigando-a em seu coração divinal.
Essa sorridente criança era a aquarela
Que abrilhantava seu lar colossal

POESIA 4

Velhice

Agora no fim da vida,
é tempo de despedida,
viagem só de partida,
jornada não escolhida.
Aquele que tudo fez,
agora está tão sozinho,
caminha devagarinho,
a espera de um carinho.
Aquele ser paciente,
que esteve sempre presente,
agora é como um repelente,
enchendo a paciência da gente.
Muitas vezes desprezados,
esquecidos e desamparados,
tratam-os com intolerância,
abandonando-os a distância,
Familiares com lealdade,
tratam-os com dignidade,
dando-lhes calor e amizade.
Velhice não é sofrimento,
é ternura e encantamento.
Também não é decadência,
é apenas uma circunstância.
É preciso dar-lhes atenção,
amor, carinho e proteção,
para que a culpa e a aflição,
não deixe sequelas no coração.
Aquele que a todos fez,
agora está tão cansado,
caminha desengonçado,
a espera de ser amado.
Aquele olhar marejado,
agora já está focado,
naquilo que foi buscado.
Naquele lugar tão sonhado,
semelhante ao Eldorado,
jamais será desprezado.

POESIA 5

Me olhas...

Quando me olhastes com olhos frios,
De quem diz \"adeus e nunca mais\"!
Meu pranto tornam-se rios,
Não terei mais vida, calor e paz!
Agora te vejo distante,
Descobri que não me amava,
Deu-me sabor a vida num instante,
E em instantes me golpeava!
É engraçada a vida que temos,
E a esperança que criamos,
Logo ela se vai e perecemos,
E a luz ressurge, nós voltamos!
É um ciclo sem fim,
Só verificar para ver,
O amor é parte de mim,
Assim como a arte de sofrer!

POESIA 6

Bala De Prata

No Dia Do Seu Casamento,
A Praga Lhe Foi Concedida.
Seu Lindo Vestido Branco,
Perdeu Seu Valor Conservador,
Ao Sedutor, Dolorido,
Vermelho De Seu Sangue,
Ninguém Entendeu O Porquê ?
Ela Entendeu O Porque.
Entendia! Aquela Forte Dor,
Que Alojada Em Seu Crânio,
Chegava Queimar Sua Alma.
Na Mão Esquerda...
Um Revólver,
E na Testa...
Um Buraco De Bala De Prata!
E Todo, Sonho Fantasma,
Em Meio A Morte, Resumia A Dor,
Em Vermelho, Vermelha Dor!
Chorava Em Arrependimento,
Agora Sua Inteligência, Chorava Sangue,
Não Imaginei, Tamanha Ambição,
Em Ter Deixado Na Solidão,
Liberdade, Coragem, Dor,
O Suicídio Pecador,
E Vivo!!! Continuam Todos,
Encaracolados Em Problemas,
Não Solucionados.
Linda Em Seu Vestido De Seda,
É Minha Deusa,
Para Sempre Vou Te Amar

POESIA 7

O Silêncio

O céu gris... chove lá fora...
O sol por um triz, exato,
Já desenha meu recato
Pela face que descora.
E não há luz na luz do dia,
E não há Sol na luz da Lua;
Minh'alma resvala nua
Quando a tua silencia.
Minh'alma sofre e suplica
Que a dor inumana cesse,
Mas não a cura nem a prece,
E nem a dor de quem fica.
Mas se a dor é grande assaz,
E se Deus trouxe o desdouro,
Também vai secar meu choro,
Também vai trazer-te paz.
Não estarei só em tua falta
Pois serás minha esperança:
Dor persiste na luz mansa,
E ilumina a vida incauta.
Sei que minh'alma chora nua...
Teu silêncio me fere agora.
Mas se parte de mim vai embora,
A outra, em teu amor, continua.

POESIA 8

Mãe querida

Quisera, minha mãe querida
poder te pintar em aquarela
a sua imagem suave
minha maezinha tão bela.

POESIA 9

A cera da vela

A cera da vela queimando
Todo mundo pagando penitência.
E com o olhar triste me olhando
Pobre de amor e rico de carência.

Outros pedindo ajuda
Acompanhados por alguém.
Muitos estão só para pedir perdão
E eu aqui simbolizado, simplesmente crucificado
Atendendo toda essa multidão.

Vem aquele com dificuldade
Que se quer mora na cidade
Mas trazendo no peito muita fé.
Entendo os dias de hoje, pois sei
Que eles não sabem o modo de como ela é.

Lá do outro lado está um amigo
Que se quer sabe que está comigo
Amparado pela minha mão.
Mas tudo isso eu compreendo,
Pois poucos estão entendendo
O dizer da oração.

Vejo aquele que está sózinho
Bem distante e ajoelhado.
Sei que comigo está falando,
Pois ouço com facilidade por estar ao seu lado.

Compreendo e aceito seus comportamentos
De todos reunidos.
Mas sempre há uma ovelha que escapa.
Só que que tudo isso faz sentido.

E assim a cera da vela vai queimando.
Aos poucos a luz do dia vai se apagando.
Mas existe a esperança de um novo amanhecer.
Estarei diante de novos olhos me olhando.
E meus braços abertos para todos acolher.

POESIA 10

Há pedras para apedrejar

Uma noite para ser dormida
Uma vida a ser vivida.
Um quadro que se apaga com a luz
O vento que o som produz
Me canso de viver
Mas nao passo sem dormir
Escrevi na pedra o seu nome e joguei
Me joguei nas pedras e o seu nome gritei
Afastei os móveis, procurando o diacho
Respirei fundo no riacho
As almas passeiam sem medo
Tentam entender os desejos
Foram homens e mulheres
E seus corações feridos a partilhar
Que enlouqueram as gerações
De mae pra pai e de filha pra tia
Agora penso, é melhor buscar
Do que esperar, vendo o tempo passar eu adoeci
Sentindo o olho fechar me adormeci
Entre beijos numa lavoura
Entre cartas de uma masmorra
Escureci o meu dia pra clarear de noite
Resmunguei e cuspi
Engoli e resignei
Cantor de meia voz
Esquece o tempo e cansa do assento
Foi embora agora quem queria ficar.

POESIA 11

Amar é...

Amar é ousar
Amar é reconhecer
Amar é retribuir
Amar é agradar
Amar é perceber
Amar é ouvir
Amar é confiar
Amar é entender
Amar é insistir
Amar é salvar
Amar é sofrer
Amar é sentir
Amar é não rejeitar
Amar é não temer
Amar é não ferir
Amar é não criticar
Amar é não esquecer
Amar é não argüir
Amar é não negar
Amar é merecer
E doar sem resistir

POESIA 12

Não tenha medo

Nos quatros cantos da terra
Não há mais amor
O mundo está cheio de guerras
De medo e dor
Mas não tenha medo
Eu irei lhe proteger
E deixando a minha vida de lado
Eu focarei só em você
A minha dor é tão grande
Que é difícil de esconder
Queira eu perder a vida
Mas jamais perder você
Mas não tenha medo
A vida é assim
Protegemos a quem amamos
Mesmo não sabendo para onde ir
Quero estar tão perto
Quando precisar
Mesmo que no mundo haja guerra
Quero que saiba que tenho amor para lhe dar

POESIA 13

Um recado para Zigmund e Zora

Esculacharam-me.
Arrastaram-me pelo chão.
Eu tinha os olhos vendados
Eu tinha algemas nas mãos.
Eles só queriam uma verdade
Mas a minha não lhes servia.
Bater era um ato covarde
Menos a quem me batia.
Não podia ler a fúria em seus olhos
A escuridão não me permitia.
Ouvindo o ranger dos ossos
Em pedaços me desfazia.
Contem uma mentira aos meus pais,
Pra que eles possam dormir algum dia,
Que não me procurem em jornais
Em deformadas fotografias.
Meio ao silencio,
Enquanto aguardo a próxima seção.
Vôo em pensamentos
Buscando alguma razão,
Mas a viagem é interrompida.
Talvez eu não vá mais voltar.
O corpo em vivas feridas
Não suporta a ausência do ar.
E quando tudo se tiver acabado
E meu silencio devolva-lhe a paz.
Mande um bilhete, mande um recado,
Invente uma verdade aos meus pais.

POESIA 14

Longe do prazer

Andas a minha procura
Estas a minha espreita
Refugio-me olhando a gravura
Abrigo-me em seus braços
A alegria oferecida
Ecoa como doença
Esta depressão lambida
Voltará ao cotidiano
Conceda-me a integração
Ludibriando a mágoa
Percebo com o coração
Minha resistência

POESIA 15

Minha Inspiração

Onde roas brotam
onde nascem os jasmins
sois a beleza do alvorecer
ao mar inestimável
acalanto meu
onde após a noite mais escura
vem o sol radiante
Sois então a inspiração de meus sonhos
de longe e de perto sois o vestígio;
o prefixo, o sufixo de minhas letras
És então: a FORTALEZA de minha vida
a PAZ de minha’alma
o DESPERTAR de minhas EVIDÊNCIAS
o meu AMOR o meu PENSAR
és o SILÊNCIO em meu INTERIOR.

POESIA 16

Poema da alegria

Ao mesmo instante.
Uma senssação diferente.
Coberta por intensa satisfação.
Como num piscar de olhios.
Momentos de pura alegria.
Sinal eficaz e prazeiroso.
Comunhão e plena paz.
Carinho e interação com o próximo.
Simplesmente forte sentimento.
Espelhando felicidade.
Figurando no seu sereno rosto.

POESIA 17

O Ser de Luz

Lembram d’Ele semi nu, sendo açoitado,
Condizido por soldados desumanos,
Com aval de magistrados vis, tiranos,
Num madeiro a resgatar nosso pecado.
E depois de divulgado em tantos anos,
Inda insistem vê-lo imóvel, grampeado;
Vendem réplicas de ouro num mercado
Junto a tudo que tem fama de profano.
Porém quando um triduano decorreu.
Ao incrédulo fez tocar marcas da cruz,
Este, em pranto, o adorou e nEle creu.
E com Ele o véu do erro foi erguido,
Pois a treva se tornou perene luz,
Para todos onde o medo foi vencido.

POESIA 18

Cadê

Cadê Mãe, cadê você
Onde a voz enérgica
Burburinho e cheiro de café
As mãos ágeis na cozinha
E ao pentear os meus cabelos?
As conversas noite adentro
Olhos brilhantes, ouvidos atentos
Arroz doce, pão, pastel de bacalhau
Muito riso, barulho e afeto
Fogão à lenha, choro, sussurro, lua e quintal.

Pai, cadê você
Tão longe, tão presente
Viagens, impaciência, silêncios
Vitamina de abacate com canela
Sorvete, abacaxi, cinema e hortelã?
Regras rígidas, mesa farta
Trabalho duro, missa e natal
Fazenda, milho verde, mais fazenda
Madrugada, barba feita, ronco de motor
Pagamentos, chaves, praia, sol e sal.

Cadê, meninas-irmãs
Cabelos brilhantes, unhas coloridas
Namoros, bailes, luas, rodopios
Graça, leveza, entrelaçadas vidas
Olhares cúmplices e sonhos fugidios?

Cadê, meninos travessos
Calças curtas, sapatos de verniz
Arapuca, estilingue, figurinhas
Bolinhas de gude, pipa, carretel e linha
Mãos sujas de terra, gritos e algazarra de aprendiz?

Cadê preguiça e tardes de domingo
Chuva tamborilando no telhado
Enxurrada, barquinho e passa-anel
Suaves cantigas, manhãs de primavera
Amarelinha, pedrinha, terço e véu?
Formas, nuvens e carochinha
Pranto e riso de mãos dadas
Cobertores, medo, frio e sopro
Fantasmas, fuga, vozes veladas
Desfaz a imagem, acaba a vela
Cai a escuridão, dissolve a tela.

POESIA 19

Cachorrada

Cachorro pequeno,
as vezes me sinto.
Vivo atras de você,
igual pulga vive atras de mendigo,
e rabo vive atras de cachorro...
Cachorro de pedigree,
mas com o rabo comprido.

POESIA 20

Impune

Chego a acreditar em sonhos.
Mas minha alma só me leva à realidade de meus passos,
que pelo acaso não são frutos de minha vontade.
Meus impulsos são argueiros nos olhos alheios.
Mantenho meus pulsos acorrentados à natureza humana em delírio.
Sou tão frágil ante meus erros quanto ante meus desenganos.
Sou tão falho como os atos que me deixam impune.

POESIA 21

Preto e branco

Amanheceu enfim, um aspecto duma neblina,
A impressão dada é que as folhas caem;
Os ventos tentam apaziguar a natureza;
Soprando as folhas para algum lugar.
Lugar este, com inúmeras suposições;
Suposições todos as têm,
Mas nenhuma me faz acreditar na exatidão delas;
São tantos Porquês, tantas interrogações ...
Só tenho certeza disto “É uma Despedida”;
Uma eterna partida sem retorno.
Em que não ouvirei mais suas gargalhadas,
Não verei mais o seu sorriso.
Nesse momento, sorrir é antagônico à lágrima
Sim, está tudo contrário; e sem cor,
Devo chamar “preto e branco”, Sim.
O poema da alma transcrito hoje;
Quando você enfim, disse: “Adeus, Maria”.

POESIA 22

Tristeza

Ó tristeza que sobrevoa escondendo a alegria do sol
Sua sombra me atormenta me dando calafrios.
Eu sou como um girassol
Busco a felicidade de um único lugar, de uma única pessoa.
Saibas, ó tristeza, que meu coração gelado
Já não mais suporta desânimo e desaconchego
Não posso contar nem se quer com meu amigo.
E muito menos em quem eu tenho amado.
Vida triste, tu esperas fechar meus olhos
para que possa devorar meu coração por inteiro
Mas enquanto não vireis a felicidade
Esperareis de olhos abertos e me defenderei de ti
Até que sua sombra se acabe em túmulo.
Sinto que dentro de mim há uma pequena esperança
A qual poderei usar como minha espada
Arremessarei contra tu, que fizestes de mim, um ser inútil
Esta esperança é minha força oculta
Que espero não chegar a usar
Pois esta é a última chance que irá morrer
E se eu fracassar assim tu usufruirá do meu coração para sua maldade
E eu estarei sem forças para me libertar.
Enquanto vos digo isso, me ouça
Jamais terá total liberdade para tomar meu destino
Meu coração não a ti pertence, ó tristeza.
Juro que enquanto não encontrar minha felicidade
Não deixarei que roubeis meu coração.

POESIA 23

Prenúncio

Será que alguém mais no mundo ouviu
Aquele longínquo canto de pássaro que ouvi agora?
Ou terá sido privilégio apenas meu?
Quem não ouviu, perdeu.
Pois este foi nostálgico e ao mesmo tempo profético,
Ecoou como prenúncio de melhores tempos vindouros,
Chegou até mim como poesia prefaciando um novo tempo,
E regando a semente que desabrocha a flor da esperança.

POESIA 24

Maria, Maria

Maria, Maria Madrugada já a vê levantada:
roda viva, faina diária, roupa lavada, enche marmita.
-Oh Deus, não permita desemprego p'ros filhos, reza aflita.
No desapego e ofego toma a condução...
Costura, corta e borda; nessa postura,
mistura filhos e fios, dores e cores, continuada imaginação...
Semana passa, a mão na massa,
cansada repassa um rosário de invocações...
Sábado morno, calado, parece perfeito à devoção.
Ela se veste, se enfeita, já refeita, vai rezar?
Saia rodada, sapato de salto, sai Maria, só alegria...
Vai dançar!

POESIA 25

Saudades de Lisboa

Às vezes me pego a pensar,
e como num passe de mágica
me vejo a viajar,
bela linda Lisboa
que me faz imaginar.
Aos sons de um fado
Nas ladeiras de Lisboa
Viajando de bondinho
Nos versos de Fernando Pessoa.

POESIA 26

Vestido de Baile

A mãe costureira;
Rendeira e faceira
Coseu o vestido.
Era de seda,
Bordado em relevo,
Babado de renda,
Feito à mão.
Tomara que cai;
Não deixe cair!
A mãe avisou.
Os ombros de fora,
Colo de marfim
Também é marfim,
A cor do vestido.
Não deixe que te abuse,
O moço atrevido!
A mãe avisou.
Depois do baile,
Mantenha o vestido!
Não deixe que dedos,
Dedos compridos;
Toquem no fecho
Tão bem comprimido!
A mãe avisou.
E volte inteiro;
Inteiro o vestido,
Inteiro o corpo,
Que cobre o vestido!
Não deixe que mãos!
Mãos atrevidas,
Que nunca se viu,
Rasgar o vestido
E a alma desvalida,
De quem te pariu!
A mãe avisou.
Apenas deixe os olhares,
De queimar buliçosos,
Apenas bulir!
Com o pensamento.
Sonhar com os recônditos,
Por trás do bordado,
Apenas sonhar!
Mas durante o baile,
A rodar no salão,
Entre púrpuras e rosas,
miçangas e lantejoulas,
Pérolas e diamantes
O marfim destacou.
Era único o vestido
E entre tantas beldades;
A moça menina,
De olhar fascinante,
O moço fascinou!
O olhar caçador,
Prendeu-se ao vestido
E mais atrevido,
se pôs a explorar;
Os pés delicados,
Colo acetinado,
O pescoço esguio
E olhar de gazela,
Nas faces rosadas,
Os lábios de rosa
Era um convite,
Para pecar!
E olhos nos olhos,
A chama acesa
A queimar n'alma
As mãos se tocando
Os braços envoltos,
Do corpo delgado,
O hálito quente
A acariciar!
A pele arrepia,
O sangue acelerada
E o coração
Se faz arrebentar!
Batendo uníssonos,
Não há música no salão;
Apenas os dois
Rodando rodando
Seguindo as batidas
Dos dois corações.
Os lábios ardentes
Desejosos e sedentos,
Querendo beber,
Da tentação do desejo
E no desejo afogar,
A sede insana
Que só um beijo,
Se faz saciar.
Mas o desejo é intenso.
Um beijo não basta,
A fome é uma fera
Insaciável, letal,
se faz consumir,
No fogo que queima,
Que não pede água,
Apenas mais lenha,
Para queimar e queimar!
E no calor da paixão,
A mão atrevida,
Roçou o tecido,
Além do vestido
A moça se assustou,
Afastou-se do moço
E tal qual Cinderela
Do baile fugiu,
Não deixando sapatinho,
Nem nome, nem número,
Na noite sumiu!
Voltou inteiro o vestido,
Inteiro o corpo,
Que o vestido cobriu
Só não voltou inteiro,
O coração!
Que o jovem buliu,
Mas o coração
Inteiro ou não,
A mãe não avisou!

POESIA 27

Mulher

És bela como a flor em todo seu esplendor
Não importa sua idade ou sua cor
É frágil como a flor, mas és forte como o seu caule
Que a mantém em seu ápice vertical
És mulher de tantos por ocasião
A é também de um só por condição
És fraca, és forte, és guerreira quando necessário
És mulher das classes operárias
É mãe de um só, mas também sabe ser de todos
É amiga de verdade nas horas mais necessárias
É necessária nos momentos mais difíceis
Sabe chegar, sabe sair, sabe sê-la em qualquer ocasião
Ocupa sua função de mulher com tal maestria
Que merece ser exaltada em versos e prosas
Pelo simples fato de ser mulher
Mulher, que ser é esse que encantou e ainda
Encanta os poetas, os escritores, os novelistas
O homem?

POESIA 28

Amor Concreto

Amar com gula,
amargura.
amar com cura,
amarula.
amar suado,
amar sem telhado,
amargurado.
ar marejado,
armário empoleirado.
amar por bem,
amor que tem,
amar além,
amém.

POESIA 29

Reflexos

A vida é muito exigente
Nada sente, nada espera
trata da gente exatamente
como a gente trata dela
E é tão preeminente que
se a gente não sorrir pra ela
ela fica de mal com a gente
Então, dialogue com ela
de agora em diante,
haja diferente
pense e plante nela diariamente
do sorriso a semente
Nunca desista dela
e ela será sempre complacente
e muito condescendente
trazendo alegria corrente
Lute por ela
e ela jamais será resistente
Seja insistente creia nela
e ela será sempre surpreendente.

POESIA 30

Dia dos namorados

Todas aquelas promessas que um dia para ela fizeste

Hoje para outra fazes

Pergunta-se o que mudou

Tu não foste.

Só pode ter sido ela,

Eis a única conclusão lógica.

Secretamente, ela pensa o mesmo.

Com seu novo amante,

Ela se pergunta por que ele não é como tu;

Por que lhe deixou partir;

E por que não pode lhe abraçar uma última vez.

Secretamente, tu pensas o mesmo.

Mas tu segues tua vida,

Assim como ela segue a dela.

Afinal de contas, se há de apontar dedos,

Culpes o destino, que te distanciou dela.

Além do que, tu nem a amavas tanto assim.

É o que declaras defronte ao espelho dia após dia.

Ela, por sua vez, acredita que seu novo amante é diferente.

Que ele será para ela o homem que tu não foste.

Quanto a ele, bom, ele está só passando o tempo.

Ainda não se deu conta da mulher que tem ao lado.

Mesmo erro que tu cometeste.

A história continua a mesma,

Apenas com diferentes nomes.

POESIA 31

Paz e esperança na hora da morte

Quando nada mais importa, quando o sacrifício já não vale a pena;
lá se vai a última gota, a esperança dos que esperaram esperançosos por ela,
já não importa, no meio de tanta amargura.
Quando tudo parecer não ter fim, os falsos se erguerão,
milhões, como tu, chorarão, a morte dos inocentes;
lágrimas que já não são lágrimas, é o sangue dos inocentes.
Serão eles, os inocentes? ou impeidosos, de que lado estão,
se declaram paz na hora da morte;
serão eles, os poetas, os poetas da morte.
Ah. Coitados, que angustiados, sacrificando o sacrificio,
se lhes soubessem a vida, não passariam na estrada, assim desapercebidos.
Marido perdeu a esposa, d'uma morte desastrosa;
chorou com o coração partido, rezou por ela, piedoso.
Mas se soubesse que a morte tem voz da poesia,
a poesia da politica, e que a paz não existe, não choraria.
Mas já que a esperança reinara, e a voz da poesia clamará,
venceremos, rezando, a saudade desse alento,
diremos nestes combates da sorte!
Que haja paz e esperança para o pensamento!
Que haja paz e esperança na hora da morte!

POESIA 32

Para o amor da minha vida

Eu te sinto no vento, na brisa;
Eu te ouço no barulho da água;
Eu te vejo no nascer de cada manhã.
Eu te sinto no calor do sol;
Eu te ouço no canto dos pássaros;
Eu te vejo num filhotinho novo.
Eu te sinto ao tocar pétalas de flores;
Eu te ouço no som do mundo acordando;
Eu te vejo no sorriso de crianças.
Eu te sinto no macio da roupa limpa;
Eu te ouço nos sons da TV ligada de noite;
Eu te vejo no caminho para o trabalho.
Eu te sinto de manhã ao meu lado;
Eu te ouço nas músicas que falam de amor;
Eu te vejo em caixas com formato de coração.
Eu te sinto no sopro carinhoso em um machucado;
Eu te ouço no barulho da batedeira ligada;
Eu te vejo nos conselhos amorosos.
Eu te sinto no beijo de adeus;
Eu te ouço na mensagem da secretária eletrônica;
Eu te vejo nas minhas lembranças.
Eu te sinto nas roupas que tem o teu cheiro;
Eu te ouço no som da palavra SAUDADE;
Eu te vejo no porta retrato.
Eu te sinto chegando perto;
Eu te ouço na campainha tocando;
Eu te vejo no portão.
Eu te sinto em uma lágrima escorrendo;
Eu te ouço na porta do quarto batendo;
Eu te vejo em pequenas mágoas guardadas.
Eu te sinto no abraço de reconciliação;
Eu te ouço no pedido de desculpas;
Eu te vejo no beijão de perdão.
Eu te sinto em minha vida;
Eu te ouço em meus fracassos;
Eu te vejo em minhas vitórias.
Eu te sinto na palavra “EU”;
Eu te ouço na palavra “TE”;
Eu te vejo na palavra “AMO”.
Eu te sinto no meu presente;
Eu te ouço no meu passado;
Eu te vejo no meu futuro.
Eu te sinto, Eu te ouço,
Eu te vejo em tudo que há, pois
Você faz parte de mim!
(Dedico ao amor da minha vida,que tem me ensinado tudo que sei, minha Mãe.)

POESIA 33

A procura de alguém

Neste momento, me encontro a pensar, o que procuro e o que quero encontrar.
Penso no passado e futuro, mas ao mesmo tempo, sinto que a vida passa.
E quando fico a pensar... o futuro chega.
E a minha pouca juventude que resta, esta indo embora.
É como se eu parasse no tempo e ele continuasse a se mover
Penso que não pertenço a este mundo, embora o que procuro possa estar longe,
todavia sinto que esta bem perto, sinto-me envergonhado por tudo o que tenho:
saúde,família, amigos e filhos, porém algo muito forte está dentro de mim,
buscando acreditar em algo ou alguém, que não pertença a esta vida e sim a outra.
Eu sei que você existe, eu sei que você esta perto, mas não importa,
vou vivendo na esperança de que algum dia possa encontrar você.
Caso o famoso acaso, não permita que isso aconteça,
pode ter a certeza de que pelo menos eu sei que você existe.
E que você é a principal peça, ao qual completa o quebra cabeça de meu coração...
e dessa minha vida.