Tirano Interior

Autora: Rosimeire Motta - Vila Velha ES

Um ser invisível ao olhar humano, usando chapéu e capa pretos até os joelhos, com a mão esquerda segura a mão direita de uma mulher. Ela está trajando vestido verde claro, está grávida, no final da gestação. As paredes ao redor de ambos são vermelhas. Ele está com a mão direita erguida para o alto, como quem diz: Pare! Ele escuridão, obstáculos, opressor. Ela esperança, o sangue corre em suas veias, tenta viver. Um candelabro de cristal dourado paira sobre eles, sua função é derrotar a insegurança.
Ela não o vê, apenas sente o peso de seus atos sobre si. Opressão, que dificulta seu crescimento pessoal. Este vulto vigia seus passos, a persegue por onde ela for. E o seus preconceitos, seus temores interiores, normas arcaicas que a sociedade lhe impôs, e a impede de seguir adiante. Barreiras que lhe impossibilitam ser ela mesma. Do seu ventre nasceu a revolta, fruto de uma prisão no recândito do seu íntimo, que explodiu e estraçalhou a redoma que a envolvia. Assassinou o tirano interior. Saiu correndo e abriu a porta da vida, mas, ficou parada segurando a maçaneta e olhando para fora, com medo da liberdade do pensamento.