Racismo: O preconceito

Autora: Rosimeire Motta - Vila Velha ES

Obs.: Texto narrado por meu pai, Pedro Sabino da Mota (1912/-) Jiquiriça, município da Bahia, no tempo do cangaço e do coronelismo. Meu pai, quando tinha 12 anos, estava parado, montado numa mula, conversando com um fazendeiro. Aproximou-se um vaqueiro cavalgando uma mulona e perguntou de maneira prepotente earrogante, expressando claramente o seu preconceito: Negro, o Coronel Coimbra está aí? Não respondeu.
Meu pai, silenciosamente, apontou com o dedo, revelando que aquele que ele procurava estava ao seu lado. Imediatamente orecém-chegado compreendeu sua insensatez, tirou o chapéu justificando-se: Coronel, perdoa-me! Eu pensava que o senhor pelo poder e riqueza, fosse branco! O que você quer? O vaqueiro lhe mostrou um envelope, no qual um documento informava a entrega de dois mil bois. Desça nesta estrada e na terceira cancela, há um rapaz para receber o gado.
Ao terminar, venha almoçar comigo! Chegando ao local indicado, acenou para meu pai, deu-lhe uma gratificação em dinheiro, dizendo: Estou com medo que aquele negro me mate! Não se preocupe: ele é uma pessoa boa! Desculpe-me, o senhor é um homem de idade e eu sou criança, mas, os ricos tanto podem ser gente branca como preta! O vaqueiro subiu a escada que o levaria ao sobrado, encontrando o Coronel vestido de terno, gravata e chapéu brancos. Reconhece agora que eu sou o Coronel Coimbra?
Vou lhe mostrar minha autoridade! O vaqueiro ajoelhou-se desesperado e pediu perdão. Havia um sino na parede da varanda onde estavam. O Coronel puxou a corda várias vezes, ecoando um som ensurdecedor. Surgiu então, uma multidão de jagunços negros (o mesmo que capangas, pistoleiros ou cabras). Impossível determinar a quantidade, pois sumiam de vista; todos usavam os cabelos e a barba longos e estavam armados com rifles de repetição.
O Coronel fez um gesto com a mão para que fosse realizada uma demonstração das armas e eles fizeram pontaria para o vaqueiro. Este fechou os olhos, pressentindo o seu fim. Contudo, em seguida, todos se dispersaram. O Coronel explicou que o almoço estava pronto e que depois tratariam de negócios. Era o ano de 1924, trinta e seis anos após a abolição da escravatura no Brasil (hoje em 2007, cento e dezenove anos), épocas distintas, porém, comportamento idêntico na atualidade.
Para que adotar atitudes de desprezo com relação aos outros? O ser humano ainda não aprendeu a respeitar o seu semelhante, não entendeu o significado das palavras de Jesus: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. (Mateus 22:39). Atualmente, tal atitude é considerada crime contra a honra. Racismo. No código penal, a pena é de reclusão de um a três anos e multa.