Assim de manso eu vou

Autor: Joaquim – São Paulo SP

Assim de manso eu vou,
levando o que me deste, piedade.
E o pouco de vontade que restou
lembrou-me da periculosidade,
que vem da busca eterna de um amor,
que vá além da linha da vaidade,
que não tenha esperança, que é dor,
que trai a mentira com a verdade.

Eu sei, a vida é só querer,
mas não se faz além do que se pode,
por teimosia ou falta de poder,
me escondo querendo que eu me acomode.
E após tanto tempo perecer,
nem querendo a poeira se sacode.
E o amor, tão longe ao meu ver,
sem saber me desperta, me acode.