Pergunta: O que diferencia um artigo acadêmico de um artigo de opinião?

Artigo acadêmico:

a) O seu trabalho, acima de tudo, deve ser intelectualmente honesto. Você deve considerar de maneira séria as objeções contra o seu argumento. Por exemplo, se o seu intuito é criticar o argumento de um autor, você deve sentir-se obrigado a construir a defesa mais forte dele e, depois, a conseguir superá-la. Da mesma forma, se o seu trabalho defende o argumento de um autor, você deve apresentar a crítica mais severa contra ele e, depois, mostrar por que ela não prospera ou não tem fundamento. Se você não consegue imaginar contra-argumentos a tese que você defende, então é porque a sua tese talvez seja demasiadamente trivial. Este é um ponto muito importante: um artigo que não apresenta contra-argumentos ou então que apresenta apenas uns muito fracos não é um texto persuasivo nem será bem-sucedido.
b) Você deve apresentar de maneira absolutamente clara as suas posições diante das questões que abordará. Frases tais como “Este artigo explorará as questões relacionadas a...” não apresentam uma tese a ser defendida e, obviamente, não abrirão espaço para a elaboração de contra-argumentos interessantes.
c) A lógica é muito importante na elaboração de um artigo ou, como diz Levy de forma sucinta e objetiva: a lógica conta.
d) A ortografia é importante. Muitos erram ao pensar que o verificador de ortografia dos editores de texto é o ponto final na verificação. Na realidade, é o ponto de início.
e) O estilo é importante, mas algumas considerações devem ser feitas: fazer um esboço do que se vai escrever antes de começar pode ser útil; é interessante colocar um parágrafo sobre a tese a ser defendida no começo do artigo; periodicamente, é bom apresentar de forma sucinta o que já foi provado e o que ainda falta provar no argumento que está sendo apresentado. Isso ajuda a fazer com que o argumento se torne claro. É verdade que retomar periodicamente a informação do que já foi provado pode deixar o artigo um pouco mecânico e, por isso, fazer com que esta técnica seja indesejável, mas, ao que parece, é preferível errar tornando o artigo mecânico a errar tornando-o confuso. É importante conhecer as regras da gramática; assim, por exemplo, o uso de tempos verbais incomuns deve ser adotado apenas quando sabemos bem o que estamos fazendo.
f) Não se esqueça: uma metáfora não é um argumento; uma listagem de tópicos não é um argumento; mesmo uma analogia, por si só, não é um argumento.
g) Um argumento sempre se relaciona com pelo menos outro no texto, seja refutando-o, seja confirmando-o ou seja tornando-o mais frágil, abalando os seus fundamentos, entre outras possibilidades. Para todas as funções dos argumentos, é imprescindível que se demonstre o que se quer. Não basta dizer que um argumento é melhor que outro, que confirma outro ou que é mais adequado.
h) Tome cuidado com as introduções e as conclusões, especialmente nos ensaios curtos. Uma introdução longa que diga apenas o quão importante é uma determinada questão; que fale da vida do autor, mesmo que o argumento principal abordado não tenha relação com ela, mas apenas com obra do autor; que diga que muitos e muitos pensadores já se debruçaram sobre dada questão, etc., é apenas perda de espaço e espaço, no feitio de um artigo, é a fonte mais preciosa. As conclusões não devem apresentar surpresas. Elas devem apresentar os resultados os quais já foram vislumbrados no transcorrer do argumento principal do texto. Quando, na conclusão, colocam-se especulações sobre outras idéias ou teses, o que se consegue, em regra, é tornar mais fraca a força do argumento principal que você apresentou.
i) Sentenças como “Eu penso que...”, “Eu creio que...”, e (a pior de todas) “Eu sinto que...” são sentenças autobiográficas, que dizem algo sobre o autor mas não sobre o argumento. Algumas vezes, muito raramente, tais sentenças devem ser usadas (quando se quer que seja presente o subjetivismo no que se afirmará), mas quando o que se quer é realmente fundamentar de forma objetiva uma tese ou uma idéia, elas devem ser evitadas com veemência.
j) No Brasil e em alguns países, muitos professores e orientadores evitam o uso de primeira pessoa nos textos pelos quais são responsáveis. Assim, em vez de dizer “Apresentaremos os argumentos...” ou “Referir-nos-emos aos argumentos”, com uso da primeira pessoa do plural (nós), diz-se “Apresentar-se-ão os argumentos” (voz passiva, sendo “argumentos” o núcleo do sujeito) ou “Referir-se-á aos argumentos” (sujeito indeterminado). A razão para isso é que, ao se evitar o uso de primeira pessoa, estar-se-ia dando maior objetividade ao texto. O prof. Lycurgo, embora em muitas situações concorde com isso, não considera tal exigência impositiva, mesmo que seja desejável na grande maioria dos casos.
k) A observação mais importante de todas é a de que o aluno nunca deve copiar indevidamente trechos de outra obra.

artigo de opinião:

O artigo de opinião é fundamentado em impressões pessoais do autor do texto e, por isso, são fáceis de contestar.
Para produzir um bom artigo de opinião é aconselhável seguir algumas orientações. Observe:
a) Após a leitura de vários pontos de vista, anote num papel os argumentos que mais lhe agradam, eles podem ser úteis para fundamentar o ponto de vista que você irá desenvolver.
b) Ao compor seu texto, leve em consideração o interlocutor: quem irá ler a sua produção. A linguagem deve ser adequada ao gênero e ao perfil do público leitor.
c) Escolha os argumentos, entre os que anotou, que podem fundamentar a ideia principal do texto de modo mais consciente, e desenvolva-os.
d) Pense num enunciado capaz de expressar a ideia principal que pretende defender.
e) Pense na melhor forma possível de concluir seu texto: retome o que foi exposto, ou confirme a ideia principal, ou faça uma citação de algum escritor ou alguém importante na área relativa ao tema debatido.
f) Crie um título que desperte o interesse e a curiosidade do leitor.
g) Formate seu texto em colunas e coloque entre elas uma chamada (um importante e pequeno trecho do seu texto).
h) Após o término do texto, releia e observe se nele você se posiciona claramente sobre o tema; se a ideia está fundamentada em argumentos fortes e se estão bem desenvolvidos; se a linguagem está adequada ao gênero; se o texto apresenta título e se é convidativo e, por fim, observe se o texto como um todo é persuasivo. Reescreva-o, se necessário.

Fonte:
wikipos.facasper.com.br
www.brasilescola.com


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