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Pergunta: Análise do personagem Antônio Conselheiro - Guerra de Canudos.

Para chegarmos a uma definição da personalidade de Antônio Conselheiro é necessário conhecer e entender um pouco da sua vida e das circunstâncias que o rodeavam em sua época e localização geográfica. Então vamos começar pelo momento em que Antônio se tornou Conselheiro.

Em certo momento de sua vida, Antônio passou a trabalhar como pedreiro e construtor para sobreviver. Na maioria de seus trabalhos, reformava igrejas, onde teve muito contato com padres. Ficou impressionado com as incursões peregrinas do padre Ibiapina, e começou a ler atentamente as pregações do Evangelho, pode-se dizer que o Pe. Ibiapina foi o precursor de Antônio Conselheiro. As mensagens religiosas o influenciaram tanto, que ele passou a consolar as pessoas que reclamavam de dificuldades com trechos bíblicos e uma diferente interpretação de seu conteúdo. Antônio atuou como conselheiro e guia dos nordestinos de 1865 em diante conquistando fiéis por onde passava. Por conta de seus conselhos, ele ficou conhecido como Antônio Conselheiro.

Em contato com o povo, percebendo suas reais necessidades e o descaso do governo e dos latifundiários com toda essa situação, Deixa definitivamente em 1871, as veredas de Quixeramobim, saindo à procura de justiça social, evangelizando os mal-aventurados sertanejos, sustentáculos econômicos dos poderosos latifundiários, construindo cemitérios e igrejas. De 1871 a 1874 sua peregrinação serve para divulgar seu objetivo de vida que era o de igualdade e fraternidade para todos, sem distinção de sexo ou de raça. Em 1874, foi preso nos sertões da Bahia, fato que muito inquietou a população. As autoridades baianas mandaram o "conselheiro" para o Ceará recomendando que não deixassem ele voltar para a Bahia, pois os padres não o viam com bons olhos. Chegando à Fortaleza bastante torturado, se encontrava magro e maltratado. Em julho de 1876 o libertaram, de tudo ele tirara um ensinamento, continuaria sua missão que era a de assistir as populações desamparadas.

Antonio Conselheiro juntamente com seus adeptos seguiam os mesmos passos do catolicismo, cumpriam as mesmas obrigações. Apesar de não possuir conhecimento profundo sobre teologia, dominava bem as escrituras. De modo geral Antonio Conselheiro falava dos ensinamentos de Cristo, sem dar importância ao que diziam os padres, sempre "favoráveis" aos poderosos. A expansão do movimento causou forte apreensão no clero da Bahia. O bispo determinava que os vigários proibissem expressamente que os fiéis se reunissem para ouvir suas pregações. Perante tal atitude aumentou mais o número de adeptos, passando Dom Luís a agir com maior rigor, enviando correspondência ao governo da Bahia, exigindo providências enérgicas contra Antonio Conselheiro, o prelado insinuava ao estado o uso da repressão policial ao movimento.

O primeiro choque com a polícia foi em 1893, quando Antônio Conselheiro queimou os editais de cobrança de impostos municipais, determinado pelo governo federal. A implantação do regime republicano não modificou a situação das famílias dos trabalhadores do campo, que representava naquela época mais de 2/3 da população brasileira. As grandes propriedades continuavam imperando tanto no litoral como no interior. No Nordeste, estagnado economicamente, a situação era pior em conseqüência das terríveis secas que se sucediam. Perseguidos pela polícia, Antônio Conselheiro e seus seguidores refugiaram-se em Canudos. Ali, de 1893 a 1897, cerca de 30.000 sertanejos, liderados pelo conselheiro, viveram em comunidade, plantando e criando rebanhos, até serem massacrados pelos soldados do governo.

No sertão nordestino, no final do século passado, o que se via eram centenas de milhares de trabalhadores precisando trabalhar e não encontravam trabalho. As grandes fazendas davam emprego a pouca gente e, quando precisavam de mais braços para as colheitas, iam as chamadas feiras de trabalhadores e escolhiam os mais fortes. Os salários eram baixíssimos, perante tal situação Canudos era um paraíso: os rebanhos, as pastagens e as colheitas pertenciam a todos, não haviam patrões nem empregados, nem ricos e nem pobres. as feiras de trabalhadores começaram a desaparecer, todos iam para Canudos em busca de dias melhores. Como é que o governo poderia aceitar tal realidade? Um outro grave problema transformou a destruição de Canudos numa questão de honra, tanto para lideranças estaduais quanto para o governo federal, ao lado das idéias religiosas o Conselheiro atacava o governo federal e ainda o Conselheiro assumia total liderança entre seus inúmeros adeptos, que lhe obedeciam cegamente, inclusive na hora de votar. Parecia necessário acabar, com o poderio absoluto dos coronéis.

Antônio Conselheiro emergiu como um produto do meio, portador de características determinadas pela hereditariedade, constituindo um documento vivo de atavismo. É natural que estas camadas profundas da nossa estratificação étnica se sublevassem numa anticlinal extraordinária - Antônio Conselheiro. Com esse epíteto principal, o beato surge como sendo o falso profeta, um produto do meio, portador de psicose progressiva e consciência delirante. Todas as crenças ingênuas, do fetichismo bárbaro às aberrações católicas, todas as tendências impulsivas das tidas raças inferiores, livremente exercitadas na indisciplina da vida sertaneja, se condensaram no seu misticismo feroz e extravagante. Ele foi, simultaneamente, o elemento ativo e passivo da agitação de que surgiu. Antônio Conselheiro resumiu numa individualidade os caracteres negativos da sub-raça, sendo o falso apóstolo que o próprio excesso de subjetividade predispusera à revolta contra a ordem natural. E assim: A multidão aclamava-o representante natural de suas aspirações mais altas. Um grande homem pelo avesso, uma personalidade forte e carismática resultante do meio social atrasado e formado por homens inferiorizados, degenerados. Um peregrino, evangelista, "asceta" e "gnóstico bronco" em suas ações edificantes pelos arraiais sertanejos.

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