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Pergunta: Leitura como fonte de argumentação para escrita.

Primeiro veja uma boa definição de argumentação:

Argumentação

Agora sim, vamos falar sobre a importância da leitura...

Leitura e educação
A relação entre leitura e educação é, aparentemente, óbvia. É "moderno" e comum dizermos que na vida tudo é lido. Lemos o dia de sol ou de chuva, a alegria ou a tristeza das pessoas, o terno azul, o vestido estampado, os olhos verdes etc. Enfim ver e ler tornam-se sinônimos, sendo que o ler recobre o verbo ver de uma camada mais espessa que é a observação. Uma observação que, naturalmente, leva em conta um certo modo de o indivíduo pensar a vida e se relacionar com o mundo. E que é variável conforme o dia, o ângulo do observador, o humor da pessoa que lê/vê alguma coisa.
Com base no que acabei de afirmar, posso dizer que a leitura do texto literário adensa mais ainda nosso ver porque o texto é plural e faz, portanto, com que o ver seja móvel. Ambíguo, ambivalente, pois. Qualidades estas que só vamos encontrar com a mesma força num outro pulsar: na vida.
Infelizmente, a educação que nos é oferecida alimenta-se de conceitos outros fazendo-nos imaginar um mundo estático, sem nenhuma dinâmica, fruto do medo.
AdéIia Prado, em certo poema, nos fala desse mundo, segundo ela, sem poesia:

"De vez em quando
Deus me tira a poesia.
Olho pedra, vejo pedra mesmo
O mundo cheio de departamentos
não é a bola bonita
caminhando solta no espaço (...)"

Essa leitura "departamentalizada" e medrosa da vida só acontece quando não fomos educados para apreender o que nela existe de movimento, de ruptura constante e - por que não dizer? - de morte.
A leitura da literatura indica esse movimento e essa morte (aqui entendida sempre como renovação) quando utilizada para formar indivíduos. O romance, o conto, o poema dão a conhecer um mundo que não cabe nos departamentos de que nos fala Adélia Prado em seu poema.
Ou seja: a boa leitura do texto literário, para além de qualquer teoria ou conceito, nos ensina a compreender o universo em que vivemos e a fazê-lo sem medo. Ensina-nos a dialética, a dinâmica de tudo e assim nos torna melhores como seres humanos, pois nada há que nos deixe mais infelizes do que a pobre certeza com a qual se ilude nosso ego: a de que nada ou pouco pode mudar. Ficamos melhores porque somos capazes de perceber as mutações constantes, nossa vida como um caleidoscópio: os mesmos elementos gerando desenhos imprevisíveis no visor do tempo.
O papel do professor ou, no caso da roda de leitura, do leitor-guia, é sempre fundamental. Cabe-lhe levar quem lê a perceber as imensas possibilidades de um texto e tudo o que nele está contido de conhecimento, sabedoria e informação.
Estamos, pois, com um material precioso nas mãos. Estou convencida de que o processo de despertar o prazer de ler passa pela descoberta deste sentido maior que a leitura pode assumir.
A escolha do leitor-guia torna-se, assim, um procedimento delicado e é, talvez, a estratégia mais importante em qualquer trabalho que pretenda formar leitores.

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