MEDITAÇÃO

Higiene da alma

Autora: Presidente da ABRAPEC, Dirce Ruiz Braz
Contato: www.abrapec.org

O nosso corpo físico, como é sabido necessita diariamente de assepsia, ou seja, limpeza, assim os poros podem respirar melhor. A pessoa se sente bem, leve e as boas energias passam a circular de forma satisfatória. Faz parte da evolução do ser que, ao longo dos séculos foi se adaptando e verificando a sua importância. A higiene evita doenças, contaminações de toda espécie, lembrando que, quando invadem nosso corpo físico causam muitos danos, e às vezes irreparáveis.
Portanto, vale a pena os cuidados para se prevenir de males que assolam a humanidade de vários tipos e modos. Fazer a parte que a nós cabe por direito. Cada um fazendo a sua parte, o muito será feito e a vida passa a fluir melhor, com mais leveza, mais harmonia circulando. Os nossos atos são determinantes nas mudanças, somos nós os condutores para uma resposta favorável que irá beneficiar a nós mesmos e a todos.
Vamos fazer um paralelo com a nossa saúde mental, falamos da maneira com a qual tratamos nosso espírito, de qual alimento ele se nutre! Como é o nosso dia a dia: Tranquilo? Você agradece a Deus por ter acordado e sendo senhor dos seus passos, se alegra ao despertar? Procura por alguns minutos que seja, elevar uma oração ao Criador e dizer: Senhor! Aqui estou! Como Pai conhece a profundeza da minha alma. Sei que sou um filho imperfeito. Conheço as minhas limitações, mas peço-te que uma pequena parcela que seja, da Tua luz ilumine os meus caminhos. Que eu possa vencer mudando a maneira de agir, tratar os meus semelhantes e procurar ser uma pessoa melhor. Para isso a minha alma deve estar higienizada, isenta de pensamentos contraditórios e livres de qualquer desejo de prejuízo, pois ainda sou imperfeito, e se assim sou, não posso julgar, nem apontar essa ou aquela pessoa, mas posso perfeitamente seguir em frente.
Nada mais feliz é poder conduzir a vida e não julgar, limpar o coração é a melhor maneira de alcançar serenidade.
Se o espírito está bem, tudo na vida vai bem!

PROVÉRBIOS

Se aqui existisse mais amor e menos egoísmo, o mundo sería diferente. A caridade não pode ter as mãos amarradas.
Irmã Dulce

Eu gosto dos que têm fome. Dos que morrem de vontade. Dos que secam de desejo. Dos que ardem.
Adriana Calcanhoto

Velho: uma caneca trincada de louça, o nome Saudade quase apagado.
Dalton Trevisan

Todo o trabalho é vazio excepto onde há amor. E o que é trabalhar com amor? É pôr em todas as coisas que fazeis, um sopro do vosso espírito.
Khalil Gibran

O escritor está em situação em sua época: Cada palavra tem repercussão. Cada silêncio também.
Jean-Paul Sartre

O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis.
José de Alencar

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.
Albert Einstein

Tente mover o mundo. O primeiro passo será mover a si mesmo.
Platão

A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.
Aristóteles

A sabedoria começa com a dúvida.
Sigmund Freud

POESIA

Brasil Pálido

Autor: Alexandre Paiá de Oliveira
Contato: alexand_reoliveira@hotmail.com

Brasil pálido
Pálido verde-amarelo fito,
Mão sob o peito, ludibriado.
Não, não é tua voz o canto,
Do "povo heróico", esquecido.
Infeliz cidade...
Terra de cais,
Quem passou a cidadela? [...]
Chore, chore enraivecido,
Somos forçados a andarmos iguais.
Miseráveis homens de mau intento,
Estimulam penúria e caos.
Doravante, contentar-me-hei
Pugnar, ao passo que houver alento.

POESIA

Nas Asas da Alvorada

Autora: Elma Sales
Contato: elmamorais@yahoo.com.br

Nas asas da alvorada
Alcanço os altos céus
Minha voz na ressoada
Clama a Ti, bendito Deus.
Um cântico único de vitória
Um louvor de Adoração
Meus lábios declaram
Ao autor da criação.
Como me sinto pequena
Quando Te busco em meu leito
Em Ti sinto-me refeita
És meu voo perfeito.
Nas fraquezas sou mais forte
Tendo a Fé como suporte
Sigo em Tua direção
Me conduz por santas mãos.
Extraído do livro: Nas Asas da Alvorada. Compre e leia o livro, vale a pena.

MEDITAÇÃO

Bênçãos do serviço

Autor: André Luiz - Chico Xavier

Senhor, ensina-nos a receber as bênçãos do serviço! Ainda não sabemos, amado Jesus, compreender a extensão do trabalho que nos confiaste! Permite, Senhor, possamos formar em nossa alma a convicção de que a Obra do Mundo te pertence, a fim de que a vaidade não se insinue em nossos corações com as aparências do bem!
Dá-nos, Mestre, o espírito da consagração aos nossos deveres e desapego aos resultados que pertencem ao teu amor!
Ensina-nos a agir sem as algemas das paixões, para que reconheçamos os teus santos objetivos!
Senhor amorável, ajuda-nos a ser teus leais servidores,
Mestre amoroso, concede-nos, ainda, as tuas lições,
Juiz reto, conduze-nos aos caminhos direitos,
Médico sublime, restaura-nos a saúde,
Pastor compassivo, guia-nos à frente das águas vivas,
Engenheiro sábio, dá-nos teu roteiro,
Administrador generoso, inspira-nos a tarefa,
Semeador do Bem, ensina-nos a cultivar o campo de nossas almas,
Carpinteiro divino, auxilia-nos a construir nossa casa eterna,
Oleiro cuidadoso, corrige-nos o vaso do coração,
Amigo desvelado, sê indulgente, ainda, para com as nossas fraquezas,
Príncipe da Paz, compadece-te de nosso espírito frágil, abre nossos olhos e mostra-nos a estrada de teu Reino!
Extraído do livro: Os mensageiros – Autor: André Luiz - Chico Xavier. Compre e leia o livro, vale a pena.

CRÔNICA

As três cantarinhas

Autor: Humberto Pinho da Silva
Contato: humbertopinhodasilva@gmail.com

Tenho, na gavetinha das recordações, três lindas cantarinhas; cada qual a mais graciosa. Três bonitas cantarinhas, autografadas. Recebi-as numa tarde soalheira de maio, cheias de sol e amor. Uma, deu-ma rapazinho, que partiu para não voltar. E se voltar, será transubstanciado em: luz e amor. As outras duas, recebi-as de lindas e virtuosas meninas, com carinho e amizade. Naquela tépida e longínqua manhã de Maio, deambulava, distraído, entre milhentos cestinhos, repletos de cantarinhas. Eram todas em miniatura; todas pequeninas; todas de barro bem vermelhinho. Pintadas com amor e carinho. Raparigas travessas, banhadas de sol, e saias garridas, soltavam gaias gargalhadas, e, mirando-me de soslaio, perpassavam por mim. Mocinhas sisudas, de saias compridas, e olhos baixos, reclinavam, recatadas, os rostos trigueiros, sorrindo…; mas nenhuma oferecia-me cantarinhas… Tinham namorado; e as que não tinham, buscavam-no.
Não eu; pobre solitário, que em dia de sol, de vento fresco e acariciador, passeava entre fogosa meninada, que comprava dúzias de cantarinhas. Porém, ao pôr-do-sol, ao recolher da tarde, duas lindas meninas, brindaram-me com duas amorosas cantarinhas; pintadas a cores festivas, e gravadas a letra manuscrita. Uma, é “alta”, esguia, e elegante, tem um: “T”, bem lançado; a outra, é baixa e graciosa, tem no “ largo” bojo, um: “G”, tremidinho. Quase cinco décadas passaram. Passaram, também, ilusões e risonhos sonhos da juventude; mas, na gavetinha das recordações, há, bem aconchegadas, três cantarinhas, pequeninas, que três jovens, em tépido dia de Maio, ofereceram-me com carinho e amor. Como é bom recordar! … Como é bom ver as cantarinhas! …Todas três embrulhadinhas. Todas três juntinhas, como estão as meninas, que mas deram, ainda, no meu coração… A Feira das Cantarinhas, realiza-se no primeiro fim - de- semana de maio.

MEDITAÇÃO

Sobre os pobres

Autora: Irmã Dulce

Muita gente acredita que não devemos dar aos pobres a mesma atenção que damos às outras pessoas. Para mim, o pobre, o doente, aquele que sofre, o abandonado, é a imagem de Cristo [...]. Se virmos o pobre com esses olhos, o seu exterior, o estar sujo, cheio de parasitas, com grandes chagas, não nos incomodará, pois na sua pessoa está presente o Cristo sofredor.
Somente quem convive com o pobre pode compreendê-lo. Muita gente pensa que faço muito, que concedo muita atenção aos pobres, e me criticam por isso.
Cada um de nós não gostaria de ser bem recebido, de ser bem tratado? E o pobre não possui o direito de ser bem acolhido, de receber todas as atenções espirituais e materiais? [...] Fazemos muito por eles? Eu pergunto: é muito o que fazemos por Deus? Ele não merece tudo de nós? Se o pobre representa a imagem de Deus – Estava nu e me vestiste, doente e me visitaste, com fome e me deste de comer (cf. Mt 25,35-36) -, então, pode ser demais aquilo que fazemos pelos pobres?
Extraído do livro: Irmã Dulce, o anjo bom da Bahia – Autor: Gaetano Passarelli. Compre e leia o livro, vale a pena.

CRÔNICAS

Movimento em defesa do Brasil

Autor: Antônio de Pádua Elias de Sousa
Contato: paduadesousa@yahoo.com.br

Em Junho de 2002, o então candidato à Presidência da República pelo PT (Partido dos Trabalhadores), o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, leu durante encontro sobre o programa de governo do partido, uma carta, a qual denominou de “Carta ao povo brasileiro”. Usando agora dos meu direitos e deveres de cidadão brasileiro, gostaria de plagiar o mesmo gesto, escrevendo este, o qual denomino de “Movimento em defesa do Brasil”. Gostaria de salientar que não sou “Lulista”, apesar de lhe ter confiado o meu voto, por duas vezes e, muito menos “petista”, apesar de considera-lo o único partido organizado no país, pois é notório, de quem é filiado ao mesmo, não foge à sua ideologia partidária, ou seja, de oposição, e ainda também que, pelo menos por enquanto, não sou candidato a nada, em que pese ter sido em 2012 a Vereador, sendo hoje um escritor e cronista.
Logo, iniciando o “Movimento em defesa do Brasil”, venho lhes redigir o texto a seguir, como modelo de protesto pacífico, em busca de nossos direitos e deveres constitucionais, registrados no Título II – Artigos de 5º à 17º - da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e suas Emendas Constitucionais e Decreto Legislativo, citando a parte inicial da carta mencionada, de autoria do então candidato: “O Brasil quer mudar. Mudar para crescer, incluir, pacificar. Mudar para conquistar o desenvolvimento econômico que hoje não temos e a justiça social que tanto almejamos. Há em nosso país uma poderosa vontade popular de encerrar o atual ciclo econômico e político”. Vejamos pois, que a carta era até bem intencionada, que de alguma forma e, em alguns casos, surtiram efeitos paliativos, mas como é de natureza da política brasileira, não tiveram continuidade e muito menos consenso das instituições governamentais e sem apoio judiciais, legislativos e partidários.
Hoje em 2018, às vésperas das eleições, nos vemos novamente às voltas dos mesmos anseios e com os mesmos problemas para serem resolvidos, agravados pelos escândalos de corrupção, falta de educação, saúde, segurança e, o que é pior, ética e consciência política. Assim sendo continuo, pois a decepção foi grande e necessitamos renovar as esperanças, mas esperança em que ou quem? Nosso povo, ordeiro, de bem, se revela indignado, achando que, o fato de não comparecer às urnas, ou mesmo se votar em branco e nulo, solucionaria em parte os problemas. Ledo engano, pois o título de eleitor é arma poderosa, que faz com que, um monte de desonestos, com raríssimas exceções, lhes visitem de 4 em 4 anos, sob juras de amizades e oportunidades, cabendo-nos saber discernir quem é quem, se vale a pena ou não, e ainda, denunciar as mazelas, se for o caso.
Portando, o modelo atual da política brasileira, nos leva a descrença, ao desânimo, negativismo, achando que tudo está perdido, o que não pode ser considerado verdadeiro, já que existe um chavão de que: “O Brasil é o país do futuro”, onde esse futuro, se faz presente. Sendo assim a população almeja, urgentemente, as possibilidades de mudanças do país, se mostrando disposta a apoiar qualquer projeto que, tenha por prioridade, o crescimento do Brasil, na valorização da educação, investimentos na saúde, na gerarão empregos, a redução da criminalidade, o resgate da nossa soberania, para termos a dignidade respeitada em todo mundo, não sendo motivos de chacotas internacionais, e até por nós mesmos.
Necessitamos de posturas corajosas e mudanças cuidadosas para punirmos os responsáveis pela situação atual do país, por seus erros, corrupções e, para que a justiça faça valer a “lei igual para todos”, acabando com as impunidades, colocando quem deve nas cadeias, limpando as casas legislativas, fortalecendo os judiciários e a valorizando os cidadãos de bem, quais tenham proposta de patriotismo humanitário. É chover no molhado, mas o caminho são as reformas tributária, agrária, previdenciária, trabalhista e, mais urgente a eleitoral, contemplando um verdadeiro processo democrático, onde o povo possa ser ouvido e governe juntamente com o próprio governo, ou seja, qualquer que seja a instância, essa será a casa do povo, propriamente dita. Utopia? Não sei. Acredito mais no poder da conversa do que na unilateralidade.
O país precisa retomar a sua capacidade de administrar sua dívida interna e externa e endividamento público, o combate à inflação, qual afugenta e preocupa os investidores, onde haja uma melhor geração de empregos e distribuição de renda. Uma política externa que proteja nossos interesses comerciais e solucionar os entraves que prejudicam o comércio internacional, imposto pelos chamados “países ricos”. Afinal o Brasil é rico de tudo, principalmente de seu povo miscigenado. Em resumo, o governo é obrigado a honrar os seus compromissos, sejam eles na educação, saúde, segurança, transporte, emprego, lazer e qualquer outro de sua alçada, constituído pela carta magna, mas alerto que o crescimento não pode e não deve penalizar novamente, nem levar o país à instabilidade, sem o controle das contas públicas e da inflação e ainda, obtidos com uma grande carga de sacrifícios, dos mais necessitados, que outrora já pagaram o preço da injustiça social.
Citando ainda mais um trecho da carta do candidato: “O Brasil precisa navegar no mar aberto do desenvolvimento econômico e social. É com essa convicção que chamo todos os que querem o bem do Brasil a se unirem em torno de um programa de mudanças corajosas e responsáveis”. E para finalizar, cito uma frase, por ocasião de sua posse, que ora modifiquei, ficando assim: “O medo deu lugar a esperança”, mas agora a esperança está perdendo espaço para o medo e a incerteza”! Formiga MG, 13 de março de 2018.

CONTOS

O cavalo Sansão de “A revolução dos bichos” (ou de “Um país chamado Brasil”)

Sansão era um bicho enorme, de quase um metro e noventa de altura, forte como dois cavalos. ...ele não tinha lá uma inteligência de primeira ordem, embora fosse grandemente respeitado pela retidão de caráter e pela tremenda capacidade de trabalho. ...Dias houve em que todo o trabalho da granja parecia cair em seu lombo. Dá manhã à noite, lá estava ele, puxando e empurrando, sempre no lugar onde o trabalho era mais pesado. ...Sua solução para cada problema, para cada contratempo, era “Trabalharei mais ainda”, frase que adotara como seu lema particular.
... se resolveu – coisa que, em si, não podia sofrer a objeção de ninguém – que o potreiro situado além do pomar seria reservado para os animais aposentados, houve uma agitada discussão a respeito da idade de aposentadoria para cada classe de animal.
...As aulas de ler e escrever, pelo contrário, fizeram enorme sucesso. Pelo outono, quase todos os bichos estavam alfabetizados, uns mais, outros menos. ...Sansão não foi capaz de ir além da letra D. ...É verdade que em vária ocasiões aprendeu E, F, G, H, mas ao consegui-lo descobria sempre que havia esquecido A, B, C, D. Afinal, decidiu contentar-se com as quatro primeiras letras...
...Jones e todos os seus homens, com mais meia dúzia de Foxwood e Pinchfield, haviam entrado pela porteira... Era evidentemente uma tentativa de recuperar a granja. ...o espetáculo mais aterrorizante em tudo aquilo era Sansão, erguendo-se nos posteriores e dando manotaços com seus enormes cascos ferrados, feito um garanhão. Logo no primeiro golpe atingiu o crânio de um cavalariço de Foxwood, que caiu prostrado sem vida na lama. Diante disso, vários homens largaram os bastões e tentaram correr. O pânico tomou conta deles... Os animais decidiram, por unanimidade, criar uma condecoração militar, a Herói Animal, Primeira Classe, conferida ali mesmo a Bola-de-Neve e a Sansão.
...Napoleão, com seus cães a segui-lo... Anunciou que daquele momento em diante... Para o futuro , todos os problemas relacionados com o funcionamento da granja seriam resolvidos por uma comissão de porcos, presidida por ele, que se reuniria em particular e depois comunicaria as decisões aos demais. ...Vários teriam protestado, se conseguissem achar os argumentos. Até Sansão ficou um tanto inquieto. Murchou as orelhas, sacudiu o topete várias vezes e fez um esforço tremendo para pôr em ordem as ideias; mas afinal não conseguiu pensar em nada para dizer. ...Sansão, que já tivera tempo de pensar, expressou o sentimento geral: “Se é o que diz o camarada Napoleão, deve estar certo”. E daí por diante adotou a máxima “Napoleão tem sempre razão”, acrescentando-a ao seu lema particular “Trabalharei mais ainda”.
...A construção do moinho de vento apresentou dificuldades imprevistas ...Nada se teria feito sem Sansão, cuja força parecia igual à de todos os outros bichos juntos. ...Era sempre Sansão que retesava os cabos e continha a pedra. Vê-lo na faina da subida, palmo a palmo, com a respiração acelerada, e os costados molhados de suor e as pontas dos cascos cravadas no solo, era algo que enchia a todos de admiração. Quitéria recomendava-lhe que tivesse cuidado e não se esforçasse demais, mas Sansão não lhe dava ouvidos. As duas máximas “Trabalharei mais ainda” e “Napoleão tem sempre razão” pareciam resolver todos os seus problemas. ...ia sozinho à pedreira, juntava um monte de pedras quebradas e puxava-o até o local do moinho de vento, sem ajuda de ninguém.
...Napoleão decretou uma ampla investigação sobre as atividades de Bola-de-Neve. ...”Camaradas”, gritou, cheio de tiques nervosos, “descobrimos uma coisa pavorosa, Bola-de-Neve vendeu-se a Frederick... Até Sansão, que raras vezes fazia perguntas, ficou confuso. Deitou-se, enfiou as patas dianteiras debaixo do corpanzil, fechou os olhos e, com grande esforço, tentou reunir os pensamentos. “Não acredito”, disse. “Bola-de-Neve lutou bravamente na batalha do estábulo. Isso eu vi com meus próprios olhos. Pois até não lhe demos uma Herói Animal, Primeira Classe logo depois?” “Esse foi o nosso erro camarada, já que agora sabemos – está tudo lá, nos papéis que encontramos – que, na realidade, ele tentava nos conduzir à derrota.” “Mas ele foi ferido”, insistiu Sansão. “Todos nós o vimos ensanguentado.” “Era parte do plano”, gritou garganta... Sansão, porém, ainda permanecia contrafeito. “Não acredito que Bola-de-Neve fosse traidor desde o começo”, disse por fim. “O que fez depois é outra coisa. Eu ainda acho que na batalha do estábulo ele foi um bom camarada.” “Nosso líder, o camarada Napoleão”, disse Garganta, falando devagar e com firmeza, “declarou categoricamente (categoricamente camaradas!) que Bola-de-Neve era agente de Jones desde o início... “Ah! Aí é diferente!”, respondeu Sansão, “Se o camarada Napoleão diz, deve ter razão.” “Esse é o verdadeiro espírito, camarada!”, exclamou Garganta. Porém todos notaram a olhadela feia que deu para Sansão... e acrescentou de maneira contundente: “Alert o a todos os animais desta fazenda para que mantenham os olhos bem abertos. Temos motivos para pensar que alguns agentes secretos de Bola-de-Neve estão ocultos entre nós neste momento!”
...Quatro dias depois, à tardinha, Napoleão mandou que os bichos se reunissem no pátio... deu um guincho estridente. Imediatamente os cachorros avançaram... Para surpresa de todos, três deles lançaram-se sobre Sansão. Ele reagiu com um pataço, que pegou um dos cachorros ainda no ar, e apertou-o no chão. O cachorro ganiu pedindo piedade, e os outros dois fugiram com o rabo entre as pernas. Sansão olho para Napoleão para saber se devia liquidar o cachorro ou deixá-lo ir. Napoleão pareceu mudar de expressão e, ríspido, ordenou a Sansão que o soltasse... E assim prosseguiu a sessão de confissões e execuções, até haver um montão de cadáveres aos pés de Napoleão... Durante algum tempo ninguém falou. Só Sansão permanecia de pé. Andava, impaciente, de um lado para o outro, batendo com a longa cauda negra nos flancos e proferindo, de vez em quando, um gemido de estupefação. Finalmente disse: “Não entendo. Nunca pensei que coisas assim pudessem acontecer em nossa granja. Deve ser o resultado de alguma falha nossa. A solução que vejo é trabalhar mais ainda. Daqui por diante vou levantar uma hora mais cedo.”
...Os animais estavam fazendo a refeição matinal quando os sentinelas chegaram correndo com a notícia de que Frederick e seus seguidores já haviam atravessado a porteira... Corajosos, os bichos saíram ao seu encontro, mas desta vez não obteriam uma vitória fácil... E os animais ouviram, vindo da direção da granja, o troar solene da espingarda. “A troco de que está atirando aquela arma?”, perguntou Sansão. “Celebrando a nossa vitória!”, exclamou Garganta. “Vitória? Que vitória?”, gritou Sansão. Tinha os joelhos sangrando, perdera uma ferradura, rachara o casco, e uma dúzia de chumbinhos havia se alojado em sua pata traseira. “...eles destruíram o moinho de vento. Nosso trabalho de dois anos!” “Que importa? Construiremos outro...” Quer dizer que ganhamos o que já era nosso”, retrucou Sansão... As balas sob o couro de Sansão aferroavam dolorosamente. Ele enxergava a sua frente a pesada tarefa de reconstruir o moinho de vento, e mesmo em imaginação já se atirava ao trabalho. Pela primeira vez, entretanto, ocorreu-lhe a lembrança de que tinha onze anos de idade e que talvez seus músculos não tivessem a mesma força de antes.
...Napoleão ordenou que fosse arado o pequeno potreiro atrás do pomar, anteriormente destinado ao repouso dos animais aposentados. Espalhou-se que a grama estava cansada e necessitava de uma nova semeadura, porém, logo se soube que Napoleão pretendia semeá-la com cevada.
...A rachadura do casco de Sansão levou tempo para cicatrizar... Sansão recusou-se a aceitar um só dia de dispensa, e fez questão de não dar mostras da dor que sofria... tanto Quitéria como Benjamim dizia a Sansão que não trabalhasse tanto. “Pulmão de cavalo não é de ferro”, alertava ela. Sansão, porém, não atendia. Explicava que só tinha uma ambição, ver o moinho de vento concluído antes de aposentar-se. De início, quando as leis da granja dos bichos foram elaboradas, fixara-se a idade de doze anos para os cavalos... Para os animais idosos, fixaram-se pensões generosas. Até então nenhum bicho se aposentara, mas ultimamente o assunto vinha sendo objeto de frequentes conversas. ...O décimo segundo aniversário de Sansão seria no fim do verão do ano seguinte.
...Depois que o casco ficou bom, Sansão trabalhou mais violentamente do que nunca. Aliás, naquele ano, todos os bichos trabalharam feito escravos. ...Às vezes ficava difícil aguentar as longas horas sem comer, mas Sansão nunca fraquejou. ...Apenas sua aparência estava um pouco modificada... “Sansão vai se recuperar quando crescer o capim da primavera”, diziam os outros, mas a primavera chegou, e Sansão não mudou de aspecto. Por vezes, na rampa da pedreira, quando enrijecia a musculatura contra o peso de um enorme pedregulho, tinha-se a impressão de que apenas a vontade o mantinha em pé. Nesses momentos seus lábios formavam claramente as palavras “Trabalharei mais ainda”, mas não emitiam nenhum som.
...Certa noite, no verão, correu a súbita notícia de que algo acontecera a Sansão. ...”Sansão está caído, não consegue levantar-se!” ...Lá estava Sansão, deitado entre os paus da carroça, com o pescoço esticado e sem poder sequer levantar a cabeça. Corria-lhe da boca um filete de sangue. Quitéria abaixou-se ao seu lado. “Sansão”, chamou, “você está bem?” “É o meu pulmão”, ele disse quase sem voz. “Não tem importância. Vocês terminarão o moinho sem mim. Já deixei bastante pedra aí. De qualquer maneira, só me restava um mês de atividade. Para falar a verdade, tenho estado à espera desta hora. E, como Benjamim também está ficando velho, talvez o deixem aposentar-se para me fazer companhia.”
...“Precisamos de socorro imediatamente”, gritou Quitéria. ...Mais ou menos um quarto de hora depois, Garganta apareceu, cheio de simpatia e preocupação. Disse que o camarada Napoleão tomara conhecimento, abaladíssimo, do mal que sucedera a uma dos trabalhadores mais leais da granja, e já estava cuidando de enviar Sansão para tratar-se no hospital de Willingdon. ...Durante os dois dias seguintes Sansão permaneceu na baia. ...Sansão afirmava não estar triste com o acontecido. Caso se recuperasse bem, poderia viver mais três anos, e já imaginava os dias tranquilos que passaria no rincão da pastagem. Seria a primeira vez que lhe sobraria tempo de folga para estudar e melhorar seus conhecimentos. Pretendia dedicar o resto de sua existência ao aprendizado das vinte e duas letras restantes do alfabeto.
...Era a primeira vez na vida que viam Benjamim nervoso – para falar a verdade, era a primeira vez que alguém o via galopar. “Depressa, corram!”, gritou. “Venham logo! Estão levando Sansão!” ...”Até breve, Sansão!”, gritaram. “Até já!” ...”Idiotas! Idiotas!, exclamou Benjamim, corcoveando em volta deles e ferindo o chão com os cascos pequeninos. “Imbecis! Não veem o que está escrito ali ao lado?” “Alfred Simmonds, matadouros de cavalos, fabricante de cola, Wellington, peles e farinhas de ossos. Fornece para canis. Será que não percebem? Vão levar Sansão para o carniceiro!” ...Nesse momento, o homem da boleia estalou o chicote, o os cavalos saíram a trote vivo, abandonando o pátio.
...Três dias depois, chegou a notícia de que havia falecido no hospital veterinário de Wellington...
Extraído do livro: A revolução dos bichos – Autor: George Orwell. Compre e leia o livro, vale a pena.

POESIA

Prece consoladora

Autor: Santo Agostinho

A morte não é nada.
Apenas passei ao outro lado do mundo.
Eu sou eu. Você é você.
O que fomos um para o outro, ainda o somos.
Dá-me o nome que sempre me deste.
Fala-me como sempre me falaste.
Não mudes o tom para um triste ou solene.
Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos.
Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.
Que o meu nome se pronuncie em casa como sempre se pronunciou,
sem nenhuma ênfase, sem rosto de sombra.
A vida continua significando o que significou:
Continua sendo o que era.
O cordão de união não se quebrou.
Por que eu estaria fora dos teus pensamentos,
apenas porque estou fora da tua vista?
Não estou longe,
somente estou do outro lado do caminho.
Já veras, tudo está bem...
Redescobrirás o meu coração,
e nele redescobrirás a ternura mais pura.
Seca tuas lágrimas e, se me amas,
Não chores mais.


Contato: Publique seu texto também.