TEMA

Africanos no Brasil; ontem e hoje

ONTEM

A cana de açucar foi feita maldição
Poderia ter sido por outra plantação
Mas a marvada da cana os trouxeram
Escravos nativos não mais existiam
Exterminados por diversas maneiras
Era necessário mão de obra resistente
Casca grossa, pé de burro, quase touro
Após 1560, índio era ruim de encontrar
A solução foi a de africanos importar
A riqueza obtida com os brasis extintos
Serviram para bancar o tráfico negreiro
Ao contrário do que dizia a história
O africano trazido não era tão dócil
Nem desprovido de iniciativa própria
Muito menos talhado para a escravidão
Voltar para sua terra era impossível
Embaralhados, cada um com sua língua
Não podiam nada verbalmente articular
Desconheciam totalmente o território
E se conseguissem fugir do dominador
Deparariam com índios desesperados
O confronto era certamente inevitável
A coroa, o mercador europeu gostou
O comércio dos africanos vantajoso
Índios, simplesmente imprestáveis
Deveriam ficarem livres para morrer
Africanos, ficarem presos para viver

HOJE

1888, 13 de maio, lei Áurea para que?
Desde então o negro não é mais fujão
E daí? Ficou livre com nenhum chão
Muito pior, sem ninguém como irmão
Nesta individual solidão houve união
E pela cor e dor guiaram toda razão
Aqui chegando na força de campeão
Atualmente são tidos como cidadãos
Vagaram quase nômades no inicio
Depois se acumularam nas favelas
Em guetos, vilas, dutos, viadutos
Trabalharam de graça para comer
E ainda pagaram para morar, viver
O escravo perdeu a figura do senhor
Hoje ele é invisível, mas açoita
Não com a chibata, mas na mente
Hoje o escravo não é mais africano
Pode ser qualquer um. Eu, você...
Depende do dia, da má necessidade
Mas de fato é inegável o degradê
A palheta de cores é determinante
A sorte do escravo depende dela
Por isso tantas cotas para reverter
Injustiças históricas que ninguém vê
Tentar conter o desejo escravista
De prender para nos deixar viver
De libertar para nos deixar morrer

Autor: Arnold Gonçalves


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