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A violência adquire "cara nova" a cada dia.

É bem verdade dizer que a violência adquire uma cara nova a cada dia. Os números estatísticos vindos por diversas fontes demonstram isso. Vamos falar sobre uma grande capital como São Paulo. Nos anos oitenta era a desigualdade social que proporcionava incríveis percentuais de homicídios, através da carência de tudo, principalmente da civilidade destruída pela ditadura. A violência generalizada e gratuita nas periferias atingiu seu ápice. Tudo era motivo para "puxar a faca". Quem viveu a época, certamente lembra que em cada esquina existia um bar "risca faca", onde toda semana morria pelo menos um, à bala, ou à faca mesmo. O tráfico de drogas era grande, sobretudo ligado à maconha, mas na segunda metade da década a cocaína ganhou muita força. No inicio dos anos oitenta estávamos no auge dos assaltos a bancos, no final dos anos oitenta estávamos em meio ao predomínio do roubo de carros, que permanece até hoje.
Nos anos noventa cresceu a renda, e até por isso, também cresceu a procura por armamentos. A população armou-se para a defesa contra os ladrões, inimigos, manos, vizinhos, etc. Houve uma verdadeira corrida armamentista. Aliado a isso, o crime passou a organizar-se como nunca havia acontecido antes, e o tráfico de drogas, impulsionado pela cocaína, profissionalizou-se e tomou conta de cada beco. Aqueles bares "risca faca" transformaram-se invariavelmente em lojas do tráfico, e aquele "mano na porta do bar" estava sempre ali, e tudo passou a ficar "dominado", e as armas compradas por tantos trabalhadores não serviam mais, só para matar os próprios donos delas. Grandes grupos de marginais passaram a dominar as vilas com as armas tomadas dos próprios moradores. No final dos anos noventa já tínhamos o toque de recolher em muitos pontos da periferia. Os moradores passaram a serem reféns, escudos, fornecedores de meninos "soldados", e meninas para "dar e se vender".
Como tudo que é ruim pode piorar, na década zero dos anos dois mil surgiu o crack, e a violência explodiu. Nem os traficantes agüentam estes "nóias" do crack. Eles roubam qualquer coisa e matam por qualquer coisa. São ratos que roem a madeira do alicerce da própria casa até que ela desmorone sobre eles mesmos. Surgiu o crime cibernético e a Internet e os celulares carregam em si o vírus da violência para o futuro. Como será? Eu robô!

Autor: Arnold Gonçalves


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