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Jovens que não estudam, nem trabalham, nem buscam emprego

O governo vem a anos dando especial atenção para a política de inclusão dos jovens nas escolas de nível fundamental. Oferece todo tipo de beneficio para que o jovem fique o máximo de tempo na escola, mas ao que parece, esta política vem cometendo erros e o número de jovens fora da escola persiste num percentual bastante alto. As escolas, apesar de tanto recurso empregado, continuam com uma estrutura muito deficiente, e a população não consegue visualizá-las como algo seu, o resultado é a depredação, o abandono. A cultura das famílias brasileiras em colocar suas crianças para trabalhar o mais rápido possível contribui muito para este quadro. Os nossos adultos, em boa parte, ainda não acreditam no resultado que o estudo pode proporcionar; pelo contrário, crêem que é só o trabalho que leva ao dinheiro e ao sucesso.
O jovem é tirado da escola e posto a trabalhar logo cedo, e assim, bem cedo, percebe que não é simplesmente pelo trabalho que chegará ao dinheiro e ao sucesso. Até pior! Por ser exposto ao trabalho com idade tão precoce, acaba nas mãos de empregadores exploradores, que buscam deliberadamente estes jovens a título de ensinar o trabalho, mas que na verdade querem se beneficiar do subemprego, da baixa remuneração que irão oferecer. O resultado é que o jovem abandona o trabalho e não volta mais para a escola porque o seu "tempo" já passou. Muitos buscam os supletivos ou escolas com padrões educacionais duvidosos para tirar o diploma do ensino fundamental e secundário, tornando-se um autentico analfabeto funcional. Apesar do diploma, sentirá dificuldade em obter um emprego com carteira assinada, e naturalmente trilhará o caminho do subemprego.
Nesta condição, o jovem, já não tão jovem assim, ignora completamente a economia oficial, e percebe o emprego, o estudo, as empresas, o governo... Como um mundo tão distante, algo que ouve falar, vê as vezes no jornal nacional, mas que nada tem haver com a sua realidade. Vive de vender produtos trazidos do Paraguai, de entregar uma pizza como motoboy, de assentar um tijolo ou encher uma laje, de limpar o banheiro da madame, de catar latinha pelas ruas, de pedir esmola para os "bacanas", de fazer um "bico"aqui e outro ali... Quando não, optam por meios mais drásticos para conseguir dinheiro, e furtam, e se drogam, e drogam, e roubam, e acabam matando... E morrendo. Tudo isso, querendo chegar ao dinheiro e ao sucesso.

Autor: Arnold Gonçalves


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