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Sobre a tragédia em Santa Maria.

Não me admira que uma festa universitária tenha acabado em tragédia. Passei boa parte de minha vida freqüentando festas universitárias e quase sempre encontrei uma situação de tremendo desmazelo. Muitas vezes presenciei brigas generalizadas violentíssimas, que certamente levaram pessoas em estado grave para o hospital; e depredações de veículos dignas de perda total. Se a parte de segurança sempre foi uma droga, porque não seria em relação a prevenção de incêndio?
As noticias afirmam que o incêndio de Santa Maria começou a partir de um sinalizador de uso externo, usado em ambiente interno. Que a forração anti ruído da boate era altamente inflamável, fora dos padrões recomendados. Bem, todos nós que freqüentamos a noite sabemos que os bares e boates em sua grande maioria estão instalados em imóveis antigos e sofrem apenas manutenções quebra galho. É só constatar pelo "termômetro" banheiro. Em alguns é complicado até para entrar. Quanto ao sinalizador... Estes produtos são todos made China, comprados em lojas especializadas em vender produtos de procedência duvidosa. Não dá para saber nem se o sinalizador é de uso interno ou externo. Não tem garantia, nem endereço para reclamações ou pedido de informações.

"De acordo com o comando da Brigada Militar, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012". Posto isso, é certo que os culpados pelo que aconteceu não são somente os proprietários da boate e os integrantes da banda que acendeu o sinalizador, mas também, e até em escala maior, os organismos de fiscalização, não só de boates, mas também os que fiscalizam o comércio que importa e vende produtos como os sinalizadores, que podem provocar graves acidentes. A fiscalização tem que ser pró ativa, não pode ficar esperando as pessoas morrerem. Está fora da lei, tem que fechar o estabelecimento até que sua situação seja regularizada.
"Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários". Isso é muito comum nas casas noturnas. Muitas vezes tive dificuldade para sair. Eles te dão uma comanda para consumo, que deve ser paga na hora de ir embora. O problema é que geralmente são dois ou três caixas para atender centenas de pessoas, muitas delas bêbadas, sem mencionar que a conta sempre dá a mais do que você consumiu de verdade. Esse tipo de ação de marketing certamente provocou a morte de muito mais pessoas. Mas, infelizmente, não é um procedimento exclusivo da boate Kiss. Mais uma vez a falha maior fica por conta da fiscalização, que não acompanha este processo exploratório de bares e boates. Carteira de bêbado não tem dono. E pelo jeito, vida também não.

Autor: Arnold Gonçalves


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