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Fim de férias de pobre

Sei que o futuro não me promete muita coisa, acho que os melhores anos de minha vida estão ocorrendo neste momento, mas não tenho dinheiro para poder sair pelo mundo conhecendo todas as coisas que existem para serem descobertas, me contento em caminhar por longo período numa cidade estranha, cheia de coisas estranhas, mas que me permitem sonhar, mesmo que não possa entrar em cada um destes lugares. Basta-me o vento batendo na minha face. O suor descendo pelo rosto devido a longa caminhada e ao sol vistoso. Isto poderia representar pobreza para a grande maioria das pessoas, mas para mim é liberdade, é saúde, é independência. Nas férias que acabo de passar, isto me ocorreu quase que ininterruptamente; parecia uma eterna alegria. Só era quebrada quando lembrava que não tinha dinheiro para fazer algo, ou nos momentos que percebia que não havia ninguém para participar de tudo isto junto a mim.
Por muitas vezes esqueci que existia São Paulo e toda a vida que deixei aqui. Descobri que não gosto de quase nada em minha vida cotidiana. Que gostaria de estar sempre presente naquele quadro de prazer no qual estava encaixado temporariamente. Pensei várias vezes que as pessoas precisam de tão pouco para serem felizes, mas este tão pouco parece tanto na realidade.
Sinto que não queria mais voltar a esta vida de trabalho-casa-escola. Queria ter só a experiência do prazer. O ônibus que me traria de volta era como um lobo mau, um bicho papão, ou coisas do gênero. Não queria entrar nele, mas algo me mostrava que era minha única alternativa, que não poderia simplesmente dizer chega e mudar meu almoço de feijão com farinha para champignon ou caviar.

Autor: Arnold Gonçalves


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