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Intolerância religiosa

O Brasil é um país onde a multiplicidade religiosa é uma realidade. Sua formação favoreceu para esses contornos. Embora a igreja católica apostólica romana tenha prevalecido até o inicio deste século, ela teve que conviver com a diversidade. Não é que não tenha havido muito índio e afro descente executado por conta da religião, mas nos últimos cem anos até que a coisa ficou mais calma. Uma santa chutada aqui, um barquinho de Yemanjá destruído ali, um pastor tirando self com sacos de dinheiro acolá... Nada comparado à santa inquisição européia, ou ao estado islâmico da atualidade.
Existe a critica religiosa, e existe a intolerância religiosa. Em alguns momentos é difícil estabelecer os limites entre as duas situações. É fácil identificar a intolerância, como no caso dos evangélicos que saiam pelas praias destruindo as oferendas preparadas para Yemanjá. É fácil identificar a intolerância quando o pastor chuta a imagem de Nossa Senhora Aparecida para que todos vejam pela televisão. E quando o pastor tira self com sacos de dinheiro? Ele está ofendendo a quem? Será que temos aqui uma intolerância ao Deus Dinheiro? Afinal, na verdade, a grande maioria adora mesmo é a Ele.
Estamos acostumados a entender intolerância religiosa como a televisão nos ensina; Judeu explodindo muçulmano. Muçulmano explodindo judeu. Muçulmano explodindo cristão. Cristão explodindo muçulmano. Muçulmano explodindo muçulmano. Cristão explodindo cristão. Ops. Que intolerância é esta? O que temos aqui é loucura mesmo.

Em minha vida vi muitos casos, que para mim, é intolerância. Detesto quando um “crente” fala com outro “crente”, na minha frente, se referindo a mim como se eu não estivesse ali; “Isso é coisa das pessoas do mundo”. Eu tenho vontade de esganar os dois, aí, seria intolerância religiosa, mas o que eles falam, não. N’outras situações os “crentes” é que são alvos; nunca trocam aqueles paletós fedidos... Aquele cabelo comprido deve estar cheio de piolhos... Enquanto o marido trabalha, elas ficam tudo atrás do pastor... E o que dizer dos patrões católicos que não contratam evangélicos, e principalmente dos evangélicos que não contratam pessoas do “mundo”. Já presenciei em uma das maiores igrejas evangélicas o pastor dando dura nos fiéis porque contrataram serviços de trabalhadores do “mundo”, sendo que ali na igreja, havia irmãos que poderiam ter feito o serviço.
Como classificar estes tipos de situação? Não é só matando que se mata alguém. Não é só ferindo que se fere alguém.

Autor: Arnold Gonçalves


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