TEMA

Aborto.

Liberdade de escolha ou crime; espontâneo ou induzido; por motivação social ou financeira; pelo estupro ou pela deficiência física do feto; não importa a motivação, esta marca ficará para sempre no intimo de cada mulher que fez ou fizer o aborto. Uma pontinha de dor que não dissipa, sensação de poder ter feito algo para evitar o acontecido. Sopro de culpa desculpada, lembrança que vira e mexe, reaparece. A vida continua, mas perguntas ficam, o que aconteceu com essa criança, que fim levou tal criatura, prestarei contas algum dia?

O pai... quando existente... quase nunca. Geralmente é melhor não ter mesmo. Os familiares, a sociedade, o governo, a religião, as leis, as regras... são quase sempre contra. A culpa toda fica para ela. Mãe desalmada. Parindo ou não, a culpa será sempre dela. Se nascer, terá que conviver, mais que isso... amar. Olhar para aquele rosto miúdo e ver a cara do traste, do monstro, bandido, estuprador. Terá que chorar todos os dias por aquele filho doente, capenga, incapaz... que futuramente, quando a mãe faltar, será linchado pela mesma sociedade que o quis ver nascer.


Em geral, os que defendem o aborto são contra a pena de morte, e os contrários ao aborto são a favor da pena de morte. Tanta contradição. O que não vemos com facilidade são estudos a respeito do que leva tantas jovens até este ato tão drástico. Como sempre tende-se a aplicar o remédio ao doente do que evitar que a doença se instale. De que forma evitar este quadro, quando todas as instituições sociais estão de braços cruzados ao invés de estarem com os braços abertos para receber esta criatura que ficou grávida contra a própria vontade, e principalmente, pela involuntária vontade social que as levam a isto.

Uma atitude social acolhedora diminuiria em muito estes números estatísticos que nos dão conta de milhões de casos, com milhares de mortes das próprias grávidas. A culpa é sem dúvida, social. Todos nós temos nossa parcela de culpa ao jogar pedra na “vagabunda”. Continuamos tão maus como há dois mil anos atrás. Mas que a luz venha sobre nossas cabeças para erradicar esse crime coletivo contra a humanidade que procuramos em nosso íntimo.

Autor: Arnold Gonçalves


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