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Trabalho escravo.

Nasceu no interior longinquo do país, mais que isso, local pobre, bem chegado aos confins, de preferência, sertão, ou não, em meio a selva pronta para devastação, local propicio para em pasto se transformar. Cresceu um pouco, já estava bem crescidinho, para os pais já havia chegado a hora de trabalhar, os “gatos”, sempre de olho, preparados para aliciar, e mais um par de braços aprisionar.

Ficou feliz, era bem jovem e já conquistado um emprego de trabalhador honesto. Limpar largos terrenos, ex selva, hoje, precisando das mãos destes vigorosos trabalhadores para tornarem-se pastos produtivos e enriquecer a ambição humana de apenas alguns poucos exploradores.

Como começou “cedo” a ganhar dinheiro, por isso pouco estudou, mal sabe ler, mas escreve o próprio nome com fluidez, com isso analfabeto não é, está melhorando as estatísticas governamentais de evolução educacional. Com isso pode assinar o que o patrão determinada, e cumpre, mas recebe sempre menos, é que tem desconto pelo transporte, alimento, moradia... No fim ainda fica no lucro, ganha alguma coisa.

Nunca pensou como em pasto estas terras se transformaram, como em donos os seus patrões tornaram-se, porque ele, seus próprios pais, e os daqueles que com ele ali labutam, não obtiveram nem um terreninho para plantar o que comer. Quando muito, um ou outro, naquele terreno bem longe de uma fonte de água. Seu trabalho é para hoje, para o almoço de amanhã. Com a graça de Deus, o importante é viver.

Trabalho escravo não existe mais, ninguém fica acorrentado, nem leva chibatadas, troncos vão para as madereiras, chicotes, nem em cavalos. Temos no Brasil o trabalho honesto, o jogo do ganha ganha, trabalha, recebe. Quem pode, pode, quem no pode, se sacode. Ninguém pode ser considerado escravo, não da forma como está definida nos dicionários e convenções sociais atuais.

Autor: Arnold Gonçalves


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